Quanto pesamos?

Já assistiu a morte de alguém? Já viu alguém parar de respirar e nunca mais voltar?

Um médico americano chamado Duncan MacDougall fez um experimento em 1907. Ele acompanhava o peso de seus pacientes terminais. De repente, um deles morreu subitamente e a balança registrou imediatamente a perda de 21 gramas. Eis o porque do título do segundo filme da chamada Trilogia da Morte do Iñárritu, composto por Amores Brutos, 21 Gramas e Babel. Filmes, para mim, considerados imperdíveis.

Apesar de seu experimento registrar diferentes pesos durante a morte de outros pacientes, o médico dizia que isso tinha a ver com o temperamento e a personalidade de cada um; “Um dos homens era apático, lento no pensamento e na ação. Nesse caso, acredito que a alma ficou suspensa no corpo, depois da morte, até se dar conta de que estava livre”.
Apesar de varias refutações e tantas outras explicações frente as brechas do experimento do médico, em 16 de outubro de 1920, o The New York Times anunciava a morte de MacDougall com o título “Ele pesou a alma humana”.
Assisti a morte de uma pessoa muito próxima – até o último suspiro. E por alguns segundos parei de respirar junto. Uma agonia quase indescritível. Minha única reação foi chorar descontroladamente a dor da falta. Ao mesmo tempo, minha mente estava a milhões de quilômetros por hora. Pensei no seu corpo; o que sentia? Na sua alma; qual seu estado de consciência? No seu espirito; o que via?
Dicotomias a parte, senti claramente naquela sala uma sensação de esvaziamento. Não poética. Era uma percepção clara e quase palpável. Do nada não estava mais lá. E, apesar do rombo na alma, o esvaziamento trouxe paz. Descansou. Não sei mensurar quanto tempo se passou nesse processo, mas creio que não mais que segundos.
Fiquei muito tempo a pensar. Qual será o peso de nossa alma? Qual o seu legado?
“Louco! Esta mesma noite a sua vida lhe será exigida. Então, quem ficará com o que você preparou?” Lucas 12:20

Como Os Pinguins Me Ajudaram a Entender Deus (O Filme)

Em 2003,  o autor Donald Miller lançou seu primeiro livro chamado “Blue Like Jazz” que em pouco tempo alcançou a lista dos mais vendidos do New York Times. Em 2007 chega ao Brasil sob o fátidico título de “Como Os Pinguins Me Ajudaram a Entender Deus”. Adquiri logo de cara e com certeza está entre os livros que marcaram minha vida.

Em 2009 o diretor Steve Taylor decidiu fazer um filme independente baseado no livro e na vida de Donald Miller. Você pode acompanhar um pouco dessa história no livro recém lançado no Brasil pela Editora Garimpo “Um Milhão de Quilômetros em Mil Anos”.

Por fim, roteiro pronto, o projeto esbarrou na questão financeira.

Logo pensaram “Será que as milhares de pessoas que leram o livro e se  sentiram tocadas por ele  não poderiam ajudar a rodar o filme?”. Então surge a campanha SAVE Blue Like Jazz.

Todas as informações de como ajudar, doações e palavras de incentivo, estão concentradas no site  http://www.savebluelikejazz.com/ (em inglês).

Como fã de toda obra do escritor, não poderia deixar de divulgar por aqui. Abaixo, assista o video promo da campanha e se puder e achar que deve, contribua.

O Sonho de um Homem Ridículo

O Sonho de um Homem Ridículo é um conto do escritor russo Fiódor Dostoiévski de 1877. É dividido em cinco partes e contado por um narrador-protagonista, que teve uma revelação através de um sonho utópico. Ele relata suas experiências quando decide que não há nada para viver no mundo, e é, portanto, determinado a cometer suicídio. Um encontro casual com uma jovem muda sua mente. [Wikipédia]

Em 1992 o russo Aleksandr Petrov lançou o curta-metragem homônimo, baseado no conto do autor. Com uma ótima adaptação e animação de primeira, para os fãs e apreciadores de boa leitura e um bom video, esse curta é indispensável.

Sobre o autor, abaixo reproduzo um comentário que vi em um blog, pois é um bom resumo das obras de Dostoieviski. Não é atoa que ele é um dos escritores mais influentes do mundo.

“No geral, os romances de Dostoiévski são bem interessantes, principalmente por mostrar o lado mais sombrio das suas personagens que vivem no limite da condição humana.”

Você pode baixar o curta diretamente AQUI!

PS.: Esse video foi dica da Mellanye

Viva La Vida!

Eu sou instintivamente provocador. As vezes, acho isso uma virtude. Outras vezes, nem tanto. Gosto de ver como as pessoas, inclusive eu, reagem a determinadas situações. Adoro conversas francas em que toda a beleza e todo o podre é vomitado sem muita frescura. Particularmente, acho lindo o processo de auto exposição. Entendo que é extremamente complicado, dolorido e, muitas vezes, vergonhoso. Mas por entender que é um árduo caminho à cura, valorizo demais isso. Tento aplicar isso a eu mesmo, sempre que posso. Sempre que me permito. Sempre que tenho coragem. Ou seja, não tão frequentemente quanto eu deveria. Esse processo assusta e afasta muita gente. Mas meu cérebro processa algumas situações de forma diferente da maioria das pessoas. Algumas delas ainda não entendem a minha posição quanto a dor e sofrimento. Compreendo por que, apesar de compartilhar dessas idéias, principalmente aqui no blog, foi algo que eu aprendi no meu constante processo de mutação. E nesses dias tenho passado por uma nova fase que quero trazer a vocês.
Uma das séries americanas que mais tem me chamado atenção atualmente, é FlashForward. Hoje, considerado por muitos, como o “novo” Lost. Em resumo, a série tem como base o fato de toda a humanidade sofrer um “blackout” por 2 minutos e 17 segundos. Nesse período de apagão, todos veem seu futuro. O que estarão fazendo daqui a 6 meses. Uns encontrando um grande amor, outros com seus casamentos destruidos, uns recebendo vida e outros sabendo que estarão mortos. Imagina o caos causado. Mas é extremamente interessante ver a ação e reação das pessoas. Mais ainda, é se ver muitas vezes vivendo e sentindo o que elas estão sentindo. Admitir que “eu faria o mesmo”, ou não.
Acho que esse seriado mostra um pouco do porque Deus não nos permitir saber o futuro. Sem dúvida nenhuma, seria um fardo pesado demais para carregar.
O que você faria se soubesse exatamente a data e a forma da sua morte? Tentaria escapar do “jogo” como no filme Premonição? Deixaria de viver a partir de agora, achando que a vida não tem mais sentido ou viveria mais intensamente? Continuar a ler

Adoração Extravagante IV

Apenas o amor
Pode fazer chover
Do modo que a praia é beijada pelo mar
Apenas o amor
Pode fazer chover
Como a transpiração dos amantes
Posto nos campos.

Amor, reine sobre mim
Amor, reine sobre mim, chova sobre mim

Apenas o amor
Pode trazer a chuva
Que faz você desejar o céu
Apenas o amor
Pode trazer a chuva
Que cai como lágrimas lá do alto

Amor, reine sobre mim

Na árida e empoeirada estrada
As noites que passamos sós
Eu preciso voltar para casa, para a fresca fresca chuva
Não sou capaz de dormir então me deito e penso
A noite é quente e negra como tinta
Ó Deus, eu preciso de uma dose da fresca fresca chuva

Musica: Love Reign O’er Me (tradução)
Interprete: Peal Jam
Tema: Filme “Reine Sobre Mim”

Confira também a versão original ao vivo do The Who, com participação de David Gilmour.

A Solidão é Meu Cigarro

Johnny and JuneDurante a semana tenho pensado muito sobre termos uma segunda chance na vida. Teoricamente, para acertar o que fizemos de errado. Tenho refletido sobre isso desde que assisti o filme “Johnny & June”, baseado na biografia de Johnny Cash, “O Homem de Preto”. Pra quem conhece a biografia, e o filme transparece isso muito bem, Cash deixa claro que ele só conseguiu voltar a ter vida, abraçar a fé e transcender tudo o que ele já tinha conquistado antes, porque June Carter, que acabou se tornando sua segunda esposa, acreditou que tudo podia ser diferente e foi peça chave na luta dele, principalmente contra as drogas. Ele teve a sua grande “segunda chance” e abraçou ela com todas as suas forças.
Mas ao re-assistir o filme “Brilho Eterno De Uma Mente Sem Lembranças” repensei o outro lado da “segunda chance”. Se tivessemos a oportunidade de mudar algumas coisas na nossa vida, ou simplesmente esquecê-las, será que mudaríamos as coisas “corretas”? Será que realmente há algo pra mudar?
Isso me leva a um outro filme. “Efeito Borboleta” (O primeiro é sensacional. A segunda parte é ridiculamente ruim. O terceiro, to até com medo de ver) trata exatamente disso. Se você pudesse voltar ao passado, se tivesse a chance de reescrever tudo, o que você mudaria?
Cheguei a conclusão que tenho infinitas “segundas chances” todos os dias que me são permitidos viver. Tenho a oportunidade de recomeçar a TODO MOMENTO. Hoje, por exemplo, eu poderia sair da minha mesa no escritório, entregar o crachá para meu gerente e imergir em uma infinidade de sonhos antigos. Dentro da prática da minha espiritualidade, tenho meus erros esquecidos e perdoados por Deus sempre que entendo que eles realmente foram um erro e que isso implica a disposição de seguir por caminho diferente. E não preciso ser alguma aberração de Fringe, não preciso pagar um médico para apagar minha memória, nem nada disso. Eu posso parar onde estiver e oferecer arrependimento em uma oração a Deus.
Para além disso, quem não compartilha da mesma fé que eu, existe um fator importante nos três filmes que citei. Não foi um anjo que desceu do céu e estimulou-as a mudarem, provocá-las em acertar o que estava errado ou simplesmente fazer com que essas pessoas enxerguem que elas podem prosseguir sem um fardo tão pesado. Foram pessoas que se estimularam. O relacionamento entre elas refletiu em algo muito maior. Trouxe mudanças significativas. Para o bem ou para o mal.
Nós somos pedaços das pessoas que passam pela nossa vida. Somos uma colcha de retalhos. Relacionamento. Não faz sentido vivermos a vida como monges trancafiados numa cela. Não faz sentido não permitir que pessoas adentrem a nossa vida. Não faz sentido não arriscarmos a nos relacionar. Relacionamento envolve riscos e a certeza de que, em algum momento mesmo que de forma inconsciente, alguém irá nos machucar. Talvez você se canse das pessoas. Quem sabe, acabe se tornando uma outra pessoa por causa delas. Mas existe a grande possibilidade dessa “outra pessoa” ser melhor do que você é agora. E mesmo que não seja, você saberá por qual caminho não percorrer. Para que uma história seja uma história, é preciso uma pessoa pra escrever e outra para ler.
Quem seriamos se não nos relacionassemos? Mesmo que tenhamos de pedir perdão e admitir que o caminho que estamos percorrendo não está certo, e isso dói porque mexe com orgulho (um bom ponto a ser mudado), que tenhamos de reescrever tudo, é primordial haver pessoas para ler e ajudar a escrever essa nova história.
Em tempo, sou obrigado a admitir que gosto muito de refletir sobre relacionamento e suas obviedades. Porque, se eu pudesse, evitaria todos – de tão poderosos que são.

Chamada para fora das Trevas

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Trecho do livro “Called Out Of Darkness”, que não foi publicado ainda em lingua portuguesa e que conta sobre a conversão da autora ANNE RICE

“No momento de entrega, deixo todas as questões teológicas ou sociais que me afastaram dEle por diversos anos. Simplesmente as deixo ir. Existia o senso, profundo e silencioso de que se Ele sabe de tudo, eu não tenho que saber de tudo, porque, nessa busca de saber todas as coisas, por toda a minha vida eu falhei em entender o que era realmente importante.

Nem o paradoxo social, nem os desastres históricos, nem os registros hediondos de injustiça ou miséria podem me afastar dEle. Nem mesmo questões sobre a integridade das escrituras, nem sobre o destino de tormento desse ou daquele ateísta ou amigo homossexual, nem as preocupações daqueles que são condenados e excluídos pela minha igreja ou por qualquer outra deveriam ficar entre mim e Ele. A razão disso? Era magnificente simples: Ele sabia como ou porque tudo acontecia; Ele conhece a disposição de cada alma.

Ele não deixaria nada acontecer acidentalmente! Ninguém iria para o inferno por acaso. Este era o mundo dEle, tudo isso! Ele tinha completo controle dele; Sua justiça. Sua misericórdia, não são a nossa justiça ou a nossa misericórdia. Seria tolice sequer imaginar isso.

Eu não tenho que saber como Ele vai salvar o iletrado ou o não batizado, ou como Ele pode redimir o pagão consciente que jamais pronunciou o nome dEle. Eu não tenho que saber como meus amigos homossexuais encontrarão o caminho da Redenção, ou como meus diligentes amigos humanistas seculares poderiam ou receberiam o poder da Sua Graça Salvadora. Eu não tenho que saber por que pessoas boas sofreram em agonia ou morreram em dor. Ele sabia.

E foi o conhecimento dEle que me maravilhou. Conhecimento que se tornou completamente real para mim, Sua sabedoria que se tornou a base da fundação do universo criado por Ele.

Ele foi, antes de tudo, a Mente Divina que esteve por trás do milagre do Big Bang, e criou o DNA que foi somente descoberto mais tarde em cada célula do corpo. Ele foi a Mente Divina que criou o som do violino no concerto de Beethoven; Ele foi a Mente Divina que fez os flocos neve, o fogo, o vôo alto dos pássaros, o mistério indecifrável dos sexos, e a gravidade que parece segurar todo o universo em um só – enquanto o nosso planeta, nosso pequenino planeta, se move pelo o espaço.

É claro. Se ele pudesse fazer tudo isso, naturalmente Ele saberia responder a cada questão concebida antes que fosse formulada. Saberia do pior sofrimento que uma alma humana poderia sentir. Nada se acaba com Ele porque Ele foi o autor de tudo. Ele foi o Criador das criaturas que sentiram raiva, alienação, fúria, desespero. Nessa grande narrativa havia ação, em cada voz, em cada silaba, e em cada pingo de tinta.

E por que eu deveria me manter longe dEle só porque não consigo entender tudo isso? Ele pode entender. É claro!

Foi o amor que me trouxe essa consciência, que me levou a confiar completamente nEle, a confiar que o Deus nos criou jamais poderia nos abandonar – que a aparente falta de sentido do nosso mundo era o limite da nossa compreensão, mas nunca, nunca o limite da dEle.”

(Anne Rice, Called Out of Darkness, 183-185)

*Tradução by Gilmore Lucassen