(H)À(s) Vozes Que Não Clamam!

“…e se necessário use palavras“ me soou muito belo num primeiro momento. Mas pensando a respeito, chego a conclusão que coibir a voz ou lança-la num segundo plano, é cometer assassinado em massa, ou suicídio dependendo do ponto de vista.
Parafraseando Tolstoi, acredito que O Reino de Deus está em voZ.
Devemos nos atentar… ouvir… aprender…

“A sabedoria clama em voz alta nas ruas, ergue a voz nas praças públicas; nas esquinas das ruas barulhentas ela clama, nas portas da cidade faz o seu discurso: “Até quando vocês, inexperientes, irão contentar-se com a sua inexperiência? Vocês, zombadores, até quando terão prazer na zombaria? E vocês, tolos, até quando desprezarão o conhecimento?“ Proverbios 1:20-23

E  PRAXIS exige mais VOZ ainda!

“Erga a voz daqueles que não podem defender-se, seja defensor de todos os desamparados. Erga a voz e julgue com justiça; defenda o direito dos pobres e necessitados“ Proverbios 31:8-9

E mesmo quando a velhice chegar, parafraseo Rubem Alves

“Por fim, sem fogo ou floresta, sem canções ou palavras, somente o infinito desejo e o silencio… e Deus tudo entendeu…“

Por fim, Hosana! Maranata!

Epifania, Amor e Morte

“De repente me dou conta: nem sei se minha esposa ainda vive! Naquele momento, fico sabendo que o amor pouco tem a ver com a existência física de uma pessoa. Ele está ligado a tal ponto à essência espiritual da pessoa amada, a seu ‘ser assim‘ (nas palavras dos filósofos), que sua ‘presença‘ e seu ‘estar-aqui-comigo‘ podem ser reais sem sua existência física em si e independente de seu estar com vida (…) Se naquela ocasião tivesse sabido: minha esposa está morta – acho que esse conhecimento não teria perturbado meu enlevo interior naquela contemplação amorosa. O diálogo espiritual teria sido igualmente intenso e gratoficante. Naquele momento, apercebo-me da verdade: Põe-me como selo sobre teu coração (…) porque o amor é forte como a morte“  (Cantares 8:9)

Viktor E. Frankl em um campo de concentração nazista. Retirado do livro “Em Busca de Sentido“

Poderiam se levantar?

Eram por volta de oito horas da manhã, escuto um barulho como se algo tivesse caido ao chão. Alguém começa a gritar pedindo para que o motorista do onibus pare porque uma pessoa havia desmaiado. Eu estava um pouco sonolento, pois estava indo trabalhar num sabadão de tempo nublado. Perfeito pra dormir até tarde. 

Quando me viro pra ver o que havia acontecido, um travesti que havia pêgo o onibus no mesmo terminal que eu, estava estirado no chão. Duas pessoas que estavam sentadas próximas foram acudir e um senhor que estava sentado no banco atras de mim também foi.

Aos poucos você vai ouvindo todas as possíveis causas do ocorrido. Alguns rostos preocupados e outros debochados. Algo como se estivessem pensando “é SÓ um traveco”. Logo se constatou que ele estava tendo uma overdose. Fato que acabou ganhando força logo após um rapaz achar no seu banco um “papelote” de cocaína vazio. 

O motorista parou em frente um posto de gasolina para aguardar o resgate, que não demorou 5 minutos para chegar. 

Não sei qual o desfecho dessa história, mesmo porque, ela ocorreu por volta de uma hora atras. 

O grande ponto de eu parar pra escrever esse texto é um fato intermediário a tudo isso. 

EU NÃO ME LEVANTEI PARA AJUDAR. E não foi por preconceito ou qualquer coisa relacionada. Eu simplesmente não sabia o que fazer. Isso pode parecer egocêntrico demais, mas devo ter me sentindo tão mal quanto esse traveco. 

Pouco tempo depois me veio a mente um texto escrito pelo Sandro Baggio que tem por título “Os corajosos poderiam se levantar, por favor?”. 

Apesar de ter sido escrito em um (para) outro contexto. Foi uma pedrada na cabeça essa frase. 

Parei, pensei e cheguei a seguinte conclusão. O “não saber o que fazer” não me impediria de levantar, chegar e perguntar se eu poderia ajudar. No onibus, não havia médico, enfermeiro ou qualquer pessoa ligada a área da saúde. Mas haviam pessoas corajosas dispostas a ajudar. 

Eu tinha um blog, mas cansei de escrever nele. Era tudo abstrato demais. Admito que tinha muita motivação mas pouca atitude. 

Quando decidi retornar a postar no blog, fui questionado por um amigo sobre qual seria o ponto central dele. Disse para ele que gostaria de escrever sobre o social (pessoas, relacionamento,…), mas algo in loco.  

Não quero ser contador de história, quero ser participante dela. E não é fácil! 

Infelizmente, e não digo isso como se fosse superior a qualquer um, muito pelo contrário, sou o pior de qualquer espécie de ser-humano que você possa imaginar, conheço poucas pessoas que sentem paixão pela humanidade como eu e mesmo que não pratiquem efetivamente, realmente AMAM e se importam com o próximo. E esse já é um enorme passo na sociedade contemporânea que prega o extremo individualismo. 

Eu fiquei pensando em uma moral para esse texto, mas ele pode ser aplicado de várias formas na vida de qualquer um. 

No seu texto, Sandro faz citação de um homem que está na minha galeria de heróis. Martin Luther King. Encerro por aqui com essa citação. Espero que ela permeie sua mente por muitos e muitos anos. 

O que me preocupa não é o grito dos maus. É sim o silêncio dos bons.”