Sobre a Arte de Escrever Um Livro

Há um bom tempo to lutando pra escrever meu primeiro livro. E não é uma daquelas coisas “Escreva um livro, plante uma árvore e tenha um filho”. É uma coisa que me domina mais do que eu domino sobre essa coisa.
Uma das minhas maiores inspirações contemporâneas é, com certeza, Donald Miller.
Há uns 3 anos ele publicou no seu blog um texto sobre a arte de escrever um livro. O Ricardo Alexandre fez o grande favor de traduzir.
Por isso, estou aqui me aproveitando disso pra compartilhar sobre esse “plano de cinco passos” pra você que está na batalha de escrever um livro, pra você que já escreveu e, principalmente, pra você que está sentado confortavelmente lendo um ótimo livro.
Só posso dizer que fico feliz por estar no caminho certo.

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Eu li muitos livros sobre a arte de escrever. Meus favoritos são On Writing Well de William Zinsser, Palavra por palavra, de Anne Lamott e A Guerra da arte, de Steven Pressfield. Todos livros fantásticos.
Pensei, então: vou compartilhar meu plano de cinco passos para escrever um livro. Aqueles livros são legais, mas esta é a verdade verdadeira.
Use-o como achar melhor, mas isso é realmente como o processo acontece:

1. Comece com uma idéia incrível: Saiba em sua cabeça que este livro vai ser um best-seller flamejante e vai mudar o mundo. Irrite seus amigos repetindo sempre essas coisas. Quando eles estiverem muito irritados, resmungue entre dentes em alguma conversa casual sobre como o seu livro coincidentemente responderá à questão em discussão, ou qualquer coisa do tipo. Continue o processo por cerca de um ano antes de começar a escrever. É importante. Continuar a ler

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A Vida. Um Filme.

Se assistisse a um filme sobre um menino que queria um Volvo e trabalhou durante anos para comprá-lo, você não choraria no fim ao vê-lo sair do estacionamento ao volante, testando o limpador de para-brisas. Você não diria a seus amigos que assistiu a um filme bonito nem iria para casa e apertaria o botão do DVD para se lembrar da história que viu. A verdade é que você não iria se lembrar do filme uma semana depois, a não ser que se sentisse lesado e quisesse seu dinheiro de volta. Ninguém chora no fim de um filme sobre um menino que quer um Volvo.
Mas, na verdade, passamos anos vivendo essas histórias e esperamos que nossa vida tenha sentido. A verdade é que, se o que escolhemos fazer com nossa vida não criar uma história com sentido, isso também não dará sentido à vida.

Donald MillerUm Milhão de Quilômetros em Mil Anos

O Poder da Metafora

A palestra era sobre o poder da metáfora. Spencer começou perguntando em quais metáforas pensávamos quando o tema era o câncer. Nós demos respostas, basicamente todas iguais; “nós combatemos o câncer”, “nós lutamos contra o câncer”, “nós estamos reconstruindo nossas células brancas”, e assim por diante. Spencer chamou a atenção para o fato de que a maioria esmagadora das metáforas indicadas por nós eram de metáforas de guerra. (…) Ele então começou a falar sobre pacientes de câncer e de como, por conta das metáforas bélicas, muitas pessoas que sofrem de câncer sentem um fardo maior do que deveriam. (…) algumas, achando que foram lançadas em uma guerra mortal, simplesmente desistem.
(…)
O Sr. Spencer então nos perguntou sobre outra área em que ele achava que as metáforas causavam problemas. Ele nos pediu que pensássemos em relacionamentos. Que metáforas usamos quando pensamos em relacionamentos? “Nós valorizamos as pessoas”, gritei eu. Sim, disse ele, e escreveu no quadro. “Nós investimos nas pessoas”, acrescentou outra pessoa. E logo tínhamos uma longa relação de metáforas econômicas. “Os relacionamentos podem falir”, dissemos. “As pessoas não tem preço”, dissemos. Sempre metáforas econômicas. Fiquei chocado.
Foi quando isso me atingiu como uma epifania em minhas artérias. O problema da cultura (…) é que pensamos no amor como uma mercadoria. Nós o utilizamos como dinheiro. (…) Se alguém está fazendo algo por nós, nos oferecendo algo – sejam presentes, tempo, popularidade, o que quer que seja -, sentimos que ela tem valor para nós e, talvez, sintamos que ela não tem preço. Vi isso claramente, e senti isso nas paginas da minha vida. Eu usava o amor como moeda. (…) Com amor, negamos afirmação às pessoas que não concordam conosco, mas financiamos prodigamente os que concordam.

Donald Miller – Blue Like Jazz

A reflexão fica por conta de cada um.

Colcha de Retalhos: Identidade, Sofrimento e Coração

É interessante reparar que quando Jesus fala “cada um pegue a sua cruz e me siga” (MARCOS 8:34 – MATEUS 16:24 – LUCAS 9:23) um pouco antes, Ele fala sobre sua identidade (Quem Dizem que Sou?).
E Pedro responde “Tu és Jesus, o Filho de Deus”.

Logo após Ele fala sobre sua Missão (Era necessário que o Filho do homem […] fosse morto).
E Pedro é tão cara de pau, que chama Jesus de canto e O repreende. Jesus quebra as pernas dele falando que, naquele momento, ele estava sendo usado pelo diabo.

Em seguida Jesus chama os discípulos e toda a multidão que está com Ele e lança “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”

Temos mania de poetizar essa parte. Eu já me emocionei várias vezes lendo e pensando sobre “morrer pela causa de Cristo”. Tudo muito lindo. Mas num contexto geral, isso é bem prático, significativo e demanda disposição nossa em sair da zona de conforto.

É como se Jesus dissesse:
“Eu sei quem eu sou. Mas, vocês sabem com quem estão andando?
Eu sei pra onde vou, mas vocês sabem pra onde estão caminhando?
Se não sabem, então posso indicar o caminho. Só não posso dizer que vai ser fácil,  mas me sigam… o primeiro passo vai ser sempre meu e eu sempre estarei com vocês.”

Estava assistindo a série de filmes “Love Comes Softly” e em determinado momento, um homem explica a uma mulher o quanto ele amava sua filha, mas que mesmo andando de mãos dadas com ela muitas vezes ela tropeçaria, cairia e se machucaria. Ela iria sentir dor e, provavelmente, iria chorar. Tudo isso mesmo ela estando de mãos dadas com o pai. A questão é que, apesar disso, o pai jamais deixaria de estar do lado dela. “Eu cuidaria de suas feridas, limparia suas lagrimas, traria aconchego a ela até voltarmos as nossas longas caminhadas novamente”. Acredito que essa é uma boa ilustração do amor paterno de Deus para conosco. Ele sempre vai estar lá.

Em tese, a história mais antiga da Bíblia é a de Jó. É um livro sobre sofrimento e as várias implicações a respeito. Sobre isso, Donald Miller faz uma seguinte análise: “É como se Deus estivesse dizendo ao mundo: ‘Antes de começarmos, há uma coisa que tenho de lhes dizer: as coisas vão ficar ruins’”. Mas ainda sim, a Redenção vêm.

Há algum tempo, descobri que os Hebreus empregavam a palavra “Coração” frequentemente no sentido de ser a “Sede de toda vida mental, inteligência, vontade e emoção”.

Isso me deu muito o que pensar a respeito desses 2 versículos de Salmos.

Salmo 33:11
“O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.”
Salmo 33:15
“Ele é que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.”

Chego a algumas conclusões nesse texto, meio colcha de retalhos:

1 – As vezes, invertemos o papel e queremos ser os “protetores de Deus”, loucos na nossa própria sabedoria. Mas impedir que Jesus morra e renasça é impedir nosso renascimento e morte para nós mesmos. O paradoxo da vida.
2 – Posso buscar ser quem eu quiser, mas decidir andar com Cristo é ter a identidade formada nEle, na sua Soberania.
3 – O Conselho de Deus é gratuito e está a nossa disposição. Se o seguirmos, o caminho pode ser árduo mas o destino certo.
4 – Pensar sobre as decisões que temos de tomar, de como descobrir e usar nossos talentos e dons em favor do outro, os sonhos que nos movem; tudo isso foi plantado por Deus. Ele é que forma o coração (Sede de toda vida mental, inteligência, vontade e emoção).
4 – Ele é suficientemente soberano para nos fazer irmãos, amigos e cooperadores do Reino.

Meu desejo é que nossos pés estejam sempre no caminho, mesmo que machucados, sangrando e, até mesmo, vacilantes. Que as mão estejam sempre dispostas a lançar as sementes, mesmo que ásperas e doloridas. E que os corações estejam sempre aquecidos.

“Não ardiam os nossos corações, enquanto ele nos falava no caminho?…” (Lucas 24:32)

Como Os Pinguins Me Ajudaram a Entender Deus (O Filme)

Em 2003,  o autor Donald Miller lançou seu primeiro livro chamado “Blue Like Jazz” que em pouco tempo alcançou a lista dos mais vendidos do New York Times. Em 2007 chega ao Brasil sob o fátidico título de “Como Os Pinguins Me Ajudaram a Entender Deus”. Adquiri logo de cara e com certeza está entre os livros que marcaram minha vida.

Em 2009 o diretor Steve Taylor decidiu fazer um filme independente baseado no livro e na vida de Donald Miller. Você pode acompanhar um pouco dessa história no livro recém lançado no Brasil pela Editora Garimpo “Um Milhão de Quilômetros em Mil Anos”.

Por fim, roteiro pronto, o projeto esbarrou na questão financeira.

Logo pensaram “Será que as milhares de pessoas que leram o livro e se  sentiram tocadas por ele  não poderiam ajudar a rodar o filme?”. Então surge a campanha SAVE Blue Like Jazz.

Todas as informações de como ajudar, doações e palavras de incentivo, estão concentradas no site  http://www.savebluelikejazz.com/ (em inglês).

Como fã de toda obra do escritor, não poderia deixar de divulgar por aqui. Abaixo, assista o video promo da campanha e se puder e achar que deve, contribua.

”Aproveite seu lugar em minha história”

”A experiência é tão lenta que você poderia facilmente chegar a acreditar que a vida não é tão importante assim, que ela não é incrível. O que estou dizendo é que acho a vida incrível, e nós simplesmente nos acomodamos com ela. Todos somos como crianças mimadas que não nos impressionamos mais com os presentes que recebemos – é só mais um pôr do sol, só mais uma pancada de chuva sobre os montes, só mais uma criança nascendo, só mais um enterro. […] Se tenho uma esperança é a de que Deus ficou sentado no vazio escuro e escreveu-nos, você e eu, especificamente na história, e colocou-nos com o pôr do sol e a pancada de chuva como se estivesse dizendo: “Aproveite seu lugar em minha história. A beleza dela significa que você é importante e pode ser criador dentro dela, assim como eu o criei.”

Donald Miller, em “Um milhão de quilômetros em mil anos” (p. 74 e 75)

VIA

Escrever Amor Nos Braços Dela!

love

Retirado de Solomon1

A banda Pedro The Lion está tocando alto no som do carro e a cidade nos espera do lado de fora das janelas abertas. Ela senta e canta, pernas cruzadas no assento do passageiro, a bonita voz dela escondida no volume. A música é um lugar seguro, e Pedro The Lion é sua banda favorita. Me atinge o fato de que ela não verá esse horizonte por várias semanas, e que nós estaremos sem ela. Eu me inclino para a frente, sabendo que isso será escrito, e pergunto a ela o que diria se essa história tivesse audiência. Ela sorri. “Diga a eles para olhar pra cima. Diga a eles que se lembrem das estrelas.”

Talvez fosse melhor eu escrever uma música pra ela, porque músicas não esperam se resolver, e porque músicas significam muito pra ela. Histórias esperam por finais, mas músicas são corajosas e fortes o suficiente pra cantar quando tudo o que conhecem são trevas. Essas palavras, como muitas outras, serão escritas próximas da meia noite, entre a tempestade e a calmaria, enquanto ambas tentam alcançá-la.

Renee tem 19 anos. Quando eu a conheci, a cocaína estava fresca em seu organismo. Ela não dormia havia 36 horas e não iria dormir nas próximas 24 horas. Havia tomado uma mistura familiar de Coca-Cola, maconha, pílulas e álcool. Ela concordou em nos encontrar, nos ouvir e nos deixar orar. Nós perguntamos à Renee se ela gostaria de vir conosco, deixar para trás essa noite falida. Ela diz que irá para a reabilitação amanhã, mas que ela não está pronta agora. É uma mudança muito grande. Nós oramos e nos despedimos e é difícil ir embora sem ela.

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