O Caminho da Gratidão

Um dia amei loucamente. Escrevia textos e compunha músicas num alto frenesi. Ainda sim, numa intensidade aquém do que gostaria. Queria abrir o coração de cada ser humano para que sentisse o mínimo daquele meu enlevo. Mas a maioria não entendeu, me achou doido ou simplesmente chato. Pois bem, acho que isso vai acontecer novamente.
Dentre todos os sentimentos que experimentei durante esses meus tantos anos de vida, o único que se igualou a essa chama de amor foi a gratidão. E, hoje, apesar de me sentir num cruzamento da vida pensando em qual lado seguir, meu coração segue transbordando gratidão, inclusive, nas mais pequenas coisas que, por vezes, deixo de perceber na vida. Gratidão pela família, pelos amigos, pelos conhecidos e desconhecidos que constantemente cruzam meu caminho. Gratidão pela manhã, tarde e noite. Pela chuva. Pelo sol. Pelo companheirismo e a solidão. E acima de tudo isso, gratidão pelo constante amor, abundante graça e extrema misericórdia vinda da parte de Deus através de cada pessoa com quem tive algum minimo de contato.
As vezes tenho a impressão de que Jesus está rindo de mim, Continuar a ler

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Jesus Anda Pelado

Mas, insuspeito, seguiu caminhando no calor do momento. O dia gélido parecia ser mais atraente que o espelho. Se sentia inóspito. Era preciso buscar a cura. Ou morrer, mesmo respirando. Mas somente ferida exposta pode ser tratada. E como não sabia exatamente o que mostrar teria que expor corpo, alma e o espirito. Mas é certo que, apesar da perversidade humana, qualquer tipo de nudez exposta é passiva de crucificação. Mesmo que seja agonia à mostra em praça pública. Acho que eis um dos motivos de terem crucificado Cristo. Não conseguiram lidar com sua nudez. Tanto que,  no fim, até os retratos e quadros ainda lhe conferem algum tipo de roupa para cobrir suas “vergonhas” como, paradoxalmente, diziam. Hoje li “livrai-me daqueles que não tem metas para bater…”. Fiquei feliz. Eu não precisaria mudar de calçada. Já tinham feito isso por mim, pela vida, até pelo Cristo das “vergonhas” descobertas. Sim, porque Jesus está junto da nua mulher que circula o bairro onde moro, que vive sem meta alguma à chegar. Inclusive, tenho impressão que, por isso, ela sabe muito mais da frieza da vida e do calor das relações humanas do que qualquer outra pessoa que tenha conhecido. Afinal, ela quase sempre está nua. Agora estou em dúvida. Quando alguém diz “mas que pouca vergonha”, está comentando algo sobre o tamanho/qualidade do pênis/vagina da pessoa? Eis algo para se pensar.

Sala de Espelhos

“Nós precisamos ter em mente que uma coisa é uma pessoa sem pecados como Jesus dizer “vai e não peques mais”, e outra coisa completamente diferente é pessoas como nós – com grandes troncos saindo dos olhos – dizermos a mesma coisa. Mas, ainda mais crucialmente, precisamos ter em mente que o aspecto central da passagem é que nenhum dos acusadores da mulher estava em posição para julgá-la. (…) Entretanto, a única pessoa que poderia justificadamente tacar-lhe pedras se negou a fazê-lo.”
Greg Boyd – The Myth of a Christian Nation (traduzido e citado por Eliel Viera aqui)

Acho que uma das grandes sacadas com relação a passagem de Jesus e a mulher adúltera (João 8.) é que no dia a dia nós somos os fariseus querendo apedrejar a mulher pelo seu pecado, tanto quanto a adúltera a ser apedrejada. Mas no final queremos, na verdade, tomar o lugar de Jesus para  poder justificar os dois quando convém. Tiramos Jesus do seu trono todos os dias e nem percebemos (ou não). Invertemos o papel e passamos de justificado para justificador em raros momentos, já que somos mais predispostos a mandar todo mundo pro inferno. Eu chamaria isso de “Sindrome da Sala de Espelhos”. Vemos nossa imagem refletida em tudo e raramente encontramos a saída de nós mesmos. Vivemos batendo com a cara no espelho, acreditando numa auto imagem totalmente ilusória e distorcida.

Que nos voltemos a Graça, a Misericórdia e o Perdão que nos foi ofertado na cruz, ou viveremos um inferno eterno preso dentro de nós mesmos, achando ser o céu.

Arrependimento e Amor. Cada Coisa Em Seu Lugar

No desenrolar da história de Jesus e Zaqueu fica claro algumas prioridades do Reino de Deus.
Zaqueu tinha ouvido que Jesus se aproximava e ele queria muito saber quem era o tal messias que o povo tanto comentava. Para isso resolveu subir numa árvore. Jesus o avistou e pediu para ele descer, pois queria repousar em sua casa. O povo, pra variar, não entendeu em nada a grande demonstração de amor que Jesus deu. Zaqueu incomodado com a falácia do povo e também entendo que ele não era digno de dar morada ao Messias, disse em alto e bom som.

“Olha, Senhor! Estou dando a metade dos meus bens aos pobres; e se de alguém extorqui alguma coisa, devolverei quatro vezes mais”. (Lucas 19:8)

Vou resumir isso em uma palavra: Arrependimento.

Mas como eu posso ter certeza de qual era a intenção de Zaqueu ao dizer isso? Será que ele não foi politico pra acalmar o povo e parecer piedoso aos olhos de Jesus? A resposta a isso esta no versículo seguinte, e se você conhece o básico da história de Cristo, sabe que Ele não fazia média e não tinha papas na lingua.

“Jesus lhe disse: ‘Hoje houve salvação nesta casa! Porque este homem também é filho de Abraão. Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido’.” (Lucas 19:9,10)

Resumindo: Porque houve arrependimento é que houve Salvação.

João Batista saiu “preparando o caminho para Senhor” pregando “um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.” (Lucas 3:3)

Jesus, logo depois da tentação, começou a pregar “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”. (Mateus 4:17)

Quando Jesus ressucitou e apareceu a seus discipulos, a mensagem que Ele deixou foi:

“Está escrito que o Cristo haveria de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia, e que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém. Vocês são testemunhas destas coisas.” (Lucas 24:46-48)

Esses últimos versículos colocam algumas coisas no lugar.

A mensagem do Reino NÃO É o amor. Mas uma de suas prioridades é o arrependimento. A morte de Cristo na cruz foi o pagamento de nossa dívida, para que nos arrependessemos dos nossos maus caminhos e tivessemos para onde ir. Um novo caminho. Uma boa nova.

John Piper diz que “O mandamento ‘arrepender-se‘ baseia-se numa OFERTA
misericordiosa de PERDÃO e numa advertência também misericordiosa de que, o
que um dia recusarem perecerão no juízo de Deus.” E isso só foi possível pelo sacrifício de Cristo.

Mas é interessante notar que Jesus fala sobre pregarmos arrependimento em Seu nome. Ou seja, a mensagem é o arrependimento, mas o meio e a forma é em amor, já que ele é o verbo encarnado.

Conseguem ver a diferença?

Entendo que a ordem dos fatores, nesse caso, altera sim o resultado. E é por isso que vemos tanto abuso da graça. Porque pregamos um amor que “vence tudo”, mas não nos leva a um profundo e real arrependimento.

E se não nos leva a esse arrependimento, será que a salvação realmente chegou a nossa casa?