Deus e nossas suposições!

Esse texto eu escrevi sobre o título “Deus, um delírio?” para o Solomon1 em 2008. Em vista de muitos debates a respeito da bondade de Deus, teismo aberto e outros, resolvi re-publicar aqui no blog. Sei que ele é bem superficial para algumas questões, mas serve como reflexão.  Nesses últimos dia tenho ouvido muito a banda Augustana. Conheço eles relativamente a pouco tempo e por isso fui atras das letras pra sacar qual o contexto lírico. Confesso que me surpreendi um pouco. Pela linha de som que eles fazem, achei que seriam letras sobre paixão, romance, relacionamentos quebrados e etc. Não que as músicas deles não tenham esse apelo, mas prestando atenção a letra da música Dust, você se depara com as seguintes frases… “Cause I believed in the Lord But he don’t show up anymore” (Porque eu acreditei em Deus mas Ele não aparece mais)… “If you can’t love sin, who can you love?” (Se você não pode amar o pecado, quem você vai amar?” Eu, como músico, entendo que não se escreve uma letra com esse conteúdo sem um porque. Então lá vai eu novamente pesquisar sobre a banda. Não foi tanta surpresa descobrir que Dan Layus, vocalista do Augustana engrossa a lista de pessoas que “nasceram dentro da igreja” e que hoje são totalmente céticos quanto a Deus. Ele me faz lembrar Katheryn Hudson, que aos 15 anos cantava na igreja e chegou até a gravar um CD com músicas cristãs e hoje é conhecida como Katy Perry e a compositora de um dos grandes hits da atualidade. “I kssed a girl and i liked it” (eu beijei uma garota e gostei) é a frase que ecoa em sua música.  Em uma entrevista, Dan diz o seguinte sobre sua “vida cristã” na época da escola.

“Eu era muito jovem para entender qualquer coisa e eu praticamente me sentia espiritualmente usado. Ao longo do ensino médio (em uma escola cristã) fiz coisas da qual sinto vergonha hoje. Eu tinha a mente tão fechada naquela época. Mas você não pode culpar a si mesmo quando se tem 15 ou 16 anos e seus pais e todos a sua volta dizem que tem que ser assim”.

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Que dEUS é esse que me oferecem?


Teorias como Teísmo Aberto, Teologia Liberal e Teologia Relacional têm feito parte dia após dia dos fóruns, e palanques teológicos. Isso porque assuntos polêmicos rendem um ibope danado. É uma pena saber que um assunto tão batido, de outro século, venha fazer sucesso no Brasil em pleno século vinte e um. E pior ainda é saber que os disseminadores pensam que descobriram a roda.

Mas, ao que interessa. Me deparei com afirmações e frases como: “Deus não tem um plano para sua vida”- Ed René Kivitz; “Se Deus manda em tudo, Ele planeja as coisas ruins?” – Ricardo Gondin;

Inclusive, tive a infelicidade de participar de uma noite de lançamento de um livro “Se Deus existe, porque há pobreza?”, em que Kivitz, Gondin e Jung Mo Sung(o autor do livro) discutiam os mais absurdos teológicos já vistos no meio batista, por esses meus olhos aqui. Eu só tenho 23 anos, e uns 3 de percepção teológica, mas os caras viajam demais.

Resumindo, sem nem tirar, nem aumentar, e muito menos acrescentar palavras. O evangelho discutido e defendido por nossos tão conceituados pastores, é que “Deus abre mão de sua Oniciência por amor ao homem”. Minha cabeça rodou. O que diabos eu tinha acabado de escutar? Repetiram em novas palavras “Deus constrói o futuro com o homem, e não tem completo conhecimento desse futuro”.

Pra mim foi demais. Fui atrás do assunto e achei um livro, inclusive prefaciado por um pastor gente fina. O tal do livro chama-se “Teísmo Aberto” e o pastor que prefaciou é o Eli Fernandes, mais uma figurassa batista.

Ultimamente tem me dado arrepio falar que sou batista. Bom, após matutar sobre tudo aquilo que tinha ouvido, fui correndo ligar para um pastorsinho velhinho, experiente, calejado da vida de ministério, talvez um dos poucos que tenha adquirido meu respeito. Perguntei a ele sobre a tal teologia liberal, e sobre o discurso contra o famoso “Deus tem um propósito para sua vida”. Ele me respondeu com voz tremola: “Filipe, se os pastores de hoje se preocupassem em pregar o amor de Cristo, estaríamos bem. Mas o assunto polêmico atrai mais fiéis, e a casa fica cheia, e inicia-se uma disputa sem fim, e quem tem o assunto mais interessante, atrai mais fiéis.”

Na tal noite de lançamento do livro, tentei inumerar os absurdos que estava ouvindo. Mas quando cheguei no décimo quinto, simplesmente desisti.

O homem vem tentando culpar a Deus, ou pelo menos discutir de quem é a culpa de catastrofes causadas pela nossa própria raça.

Esse tipo de mentalidade abriu precedente pros caras discutirem até se Deus planeja um estupro. Hmm, será? Acho que todos nós ja ouvimos a frase “Deus te conhece antes do ventre da sua mãe”. Logo: “Se você nasceu de um estupro, Deus ja sabia?”, indaga de maneira irônica a teoria mirabolante de Kivitz.

Nossos teólogos vem tentando colocar Deus, e sua superioridade, dentro de uma caixinha de sapato. E AI dele se tentar sair! Não se fala mais em amor, em ajuda ao proximo. Não se fala em dependência completa de Deus, nem sobre graça e misericórdia.

Pessoas naquela noite precisavam de palavras de conforto, de paz para as ciladas da vida, tranquilidade após um dia de trabalho. E o que ouviram foi algo que torrou a cabeça, tirou a paz, e tirou a cabeça do foco principal. Ao invés de assunto tão mediocre para fracos na fé, podia ter-se feito algo melhor para pessoas que não são 100% convictas de alguns assuntos.

Mas infelizmente trouxe-se um assunto de fórum teológico, para o meio da igreja, e colocou-se dúvida no coração de quem não precisava de mais um motivo para encucar-se.

E antes que alguns devotos dos pastores acima venham me apedrejar, tentem ao menos ler o que segue abaixo.

Para quem ainda tem dúvidas sobre o por que do sofrimento, e da permissão de Deus para coisas más na terra, sugiro a leitura de alguns textos:

Sofrimento sempre indica maldição, fracasso ou pecado na vida? Leia Atos 14.22; João 16.33; Romanos 5.3-5; 2 Corintios 4.17; Filipenses 1.29; 2 Corintios 7.5

Enfim, por quê, mesmo sendo cristãos, temos que enfrentar dor e sofrimento? Por quê, ou para quê? Leia Provérbios 3.12; 19.19; 22.24,25; Gálatas 6.7; Lucas 13.4; Atos 27.41-44; Jó 1.8-12, Tiago 1.2-4, Salmos 66.10; Romanos 5.3-5; Gálatas 4.19; Romanos 8.35-37; 2 Corintios 12.7-10; 1 Pedro 5.10,11; Colossenses 1.24; Filipenses 4.14; 1 Pedro 3.17; 4.12-19; Filipenses 1.29

By Filipe Fernandes
Retirado de Solomon1