Garoto do Interior

“Nós não somos daqueles que desistem”, sempre lembrava minha mãe.
Após sua partida, descobrimos que ela havia preparado e organizado muitas coisas. Deixado recado e dicas através de outras pessoas para resolver algumas questões. De alguma maneira ela esperava pela morte sem grandes preocupações. Apesar de nova, de todo o processo de quimioterapia, indas e vindas ao hospital, internações e momentos de muita dor, ela constantemente estava sorrindo.
Tenho algumas dividas com ela. Algumas coisas que gostaria de ter falado e reafirmado. A idade avança e parece que a gente passa pela transição de filhos para pais ao longo da vida. Mesmo sem um filho biológico ou adotado. Então hoje consigo reconhecer algumas de suas atitudes que na época não entendia direito, mas que desembocaram em exemplos perfeitos a serem seguidos.
Já estive em rota de colisão com a vida em vários momentos. Algumas vezes, admito, por vontade própria. E não se trata de pensamentos suicidas, nesse caso. Mas um tipo de auto degradação, melindre e um certo desespero que gerava uma necessidade de sentir dor para se sentir vivo. Apesar de períodos angustiantes, minha relação com a dor nunca mais foi a mesma. Como disse certa vez C.S. Lewis Continuar a ler

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Colcha de Retalhos: Identidade, Sofrimento e Coração

É interessante reparar que quando Jesus fala “cada um pegue a sua cruz e me siga” (MARCOS 8:34 – MATEUS 16:24 – LUCAS 9:23) um pouco antes, Ele fala sobre sua identidade (Quem Dizem que Sou?).
E Pedro responde “Tu és Jesus, o Filho de Deus”.

Logo após Ele fala sobre sua Missão (Era necessário que o Filho do homem […] fosse morto).
E Pedro é tão cara de pau, que chama Jesus de canto e O repreende. Jesus quebra as pernas dele falando que, naquele momento, ele estava sendo usado pelo diabo.

Em seguida Jesus chama os discípulos e toda a multidão que está com Ele e lança “Se alguém quiser acompanhar-me, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me”

Temos mania de poetizar essa parte. Eu já me emocionei várias vezes lendo e pensando sobre “morrer pela causa de Cristo”. Tudo muito lindo. Mas num contexto geral, isso é bem prático, significativo e demanda disposição nossa em sair da zona de conforto.

É como se Jesus dissesse:
“Eu sei quem eu sou. Mas, vocês sabem com quem estão andando?
Eu sei pra onde vou, mas vocês sabem pra onde estão caminhando?
Se não sabem, então posso indicar o caminho. Só não posso dizer que vai ser fácil,  mas me sigam… o primeiro passo vai ser sempre meu e eu sempre estarei com vocês.”

Estava assistindo a série de filmes “Love Comes Softly” e em determinado momento, um homem explica a uma mulher o quanto ele amava sua filha, mas que mesmo andando de mãos dadas com ela muitas vezes ela tropeçaria, cairia e se machucaria. Ela iria sentir dor e, provavelmente, iria chorar. Tudo isso mesmo ela estando de mãos dadas com o pai. A questão é que, apesar disso, o pai jamais deixaria de estar do lado dela. “Eu cuidaria de suas feridas, limparia suas lagrimas, traria aconchego a ela até voltarmos as nossas longas caminhadas novamente”. Acredito que essa é uma boa ilustração do amor paterno de Deus para conosco. Ele sempre vai estar lá.

Em tese, a história mais antiga da Bíblia é a de Jó. É um livro sobre sofrimento e as várias implicações a respeito. Sobre isso, Donald Miller faz uma seguinte análise: “É como se Deus estivesse dizendo ao mundo: ‘Antes de começarmos, há uma coisa que tenho de lhes dizer: as coisas vão ficar ruins’”. Mas ainda sim, a Redenção vêm.

Há algum tempo, descobri que os Hebreus empregavam a palavra “Coração” frequentemente no sentido de ser a “Sede de toda vida mental, inteligência, vontade e emoção”.

Isso me deu muito o que pensar a respeito desses 2 versículos de Salmos.

Salmo 33:11
“O conselho do SENHOR permanece para sempre; os intentos do seu coração de geração em geração.”
Salmo 33:15
“Ele é que forma o coração de todos eles, que contempla todas as suas obras.”

Chego a algumas conclusões nesse texto, meio colcha de retalhos:

1 – As vezes, invertemos o papel e queremos ser os “protetores de Deus”, loucos na nossa própria sabedoria. Mas impedir que Jesus morra e renasça é impedir nosso renascimento e morte para nós mesmos. O paradoxo da vida.
2 – Posso buscar ser quem eu quiser, mas decidir andar com Cristo é ter a identidade formada nEle, na sua Soberania.
3 – O Conselho de Deus é gratuito e está a nossa disposição. Se o seguirmos, o caminho pode ser árduo mas o destino certo.
4 – Pensar sobre as decisões que temos de tomar, de como descobrir e usar nossos talentos e dons em favor do outro, os sonhos que nos movem; tudo isso foi plantado por Deus. Ele é que forma o coração (Sede de toda vida mental, inteligência, vontade e emoção).
4 – Ele é suficientemente soberano para nos fazer irmãos, amigos e cooperadores do Reino.

Meu desejo é que nossos pés estejam sempre no caminho, mesmo que machucados, sangrando e, até mesmo, vacilantes. Que as mão estejam sempre dispostas a lançar as sementes, mesmo que ásperas e doloridas. E que os corações estejam sempre aquecidos.

“Não ardiam os nossos corações, enquanto ele nos falava no caminho?…” (Lucas 24:32)

A Grata Liberdade de Sofrer

Como não acordar com aquela dor no peito e não pensar naquilo que passou. Tem dias que nada faz sentido. Acho que a maioria deles. E não adianta tentar me explicar ou persuadir a tal. Não é minha mente que tem de ser convencida, é meu coração que precisa ser aquecido. Simplesmente tem dias que o céu estará cinza. E ai daquele que não me permitir o direito de chorar. Ai daquele que não me permitir o direito de estar e permanecer confuso. A busca pelo equilíbrio é válida. É uma estrada longa que muitos se aventuram, mas poucos realmente chegam ao destino. Então, por que essa necessidade de ter aparentar estar bem? Digo com sinceridade. Duvide de quem não tem problemas. Não acredite em pessoas que estão sempre bem. Elas estão mentindo ou não estão vivendo. Uma vida sem tristezas, decepções, sofrimento e dificuldades é tudo, menos vida. Sem superação a estagnação toma conta, e o vazio no peito se torna um abismo profundo. Não confunda, essa não é uma reflexão existencialista. De forma nenhuma. Me sinto livre pra sentir vontade de não querer abrir o olho de manhã, de não sorrir para as pessoas. Deus me da liberdade de curtir a minha dor, pois nela há aprendizado. Deus me da liberdade, inclusive, para não querer ouvir Sua voz, a fim de poder ouvir meus pensamentos. Nisso entendo o quão mal, sem perspectiva e aleatório sou longe dEle. É isso… tenho grata liberdade de sofrer. E isso só se da por causa de uma promessa. “Pois a sua ira só dura um instante, mas o seu favor dura a vida toda; o choro pode persistir uma noite, mas de manhã irrompe a alegria.” (Salmo 30:5). E eu sei que sempre haverão manhãs para alegria nascer. Mas, pode ser, que não seja necessariamente amanhã. E nisso exerço minha fé e confiança, porque sei que Ele é e isso me basta.

Pensamentos Sobre o Sofrimento V

Como será, nascer viver e morrer no mesmo lugar
Sob sol escaldante à noite ao luar
Sobreviver à tempestades
e o frio suportar
E na primavera com suas cores e formas tão belas
O mundo salvar, como será?

Como será que deve ser pra eu me fazer entender
Que sofrer é aprender

Como será se continuarmos a lhe sangrar?
Interrompendo o ciclo da vida
Até não poder mais
Então você não mais vai suportar
E vai me odiar
Por não te amar

Banda: ZIGURATE

Música: Como será!

Que dEUS é esse que me oferecem?


Teorias como Teísmo Aberto, Teologia Liberal e Teologia Relacional têm feito parte dia após dia dos fóruns, e palanques teológicos. Isso porque assuntos polêmicos rendem um ibope danado. É uma pena saber que um assunto tão batido, de outro século, venha fazer sucesso no Brasil em pleno século vinte e um. E pior ainda é saber que os disseminadores pensam que descobriram a roda.

Mas, ao que interessa. Me deparei com afirmações e frases como: “Deus não tem um plano para sua vida”- Ed René Kivitz; “Se Deus manda em tudo, Ele planeja as coisas ruins?” – Ricardo Gondin;

Inclusive, tive a infelicidade de participar de uma noite de lançamento de um livro “Se Deus existe, porque há pobreza?”, em que Kivitz, Gondin e Jung Mo Sung(o autor do livro) discutiam os mais absurdos teológicos já vistos no meio batista, por esses meus olhos aqui. Eu só tenho 23 anos, e uns 3 de percepção teológica, mas os caras viajam demais.

Resumindo, sem nem tirar, nem aumentar, e muito menos acrescentar palavras. O evangelho discutido e defendido por nossos tão conceituados pastores, é que “Deus abre mão de sua Oniciência por amor ao homem”. Minha cabeça rodou. O que diabos eu tinha acabado de escutar? Repetiram em novas palavras “Deus constrói o futuro com o homem, e não tem completo conhecimento desse futuro”.

Pra mim foi demais. Fui atrás do assunto e achei um livro, inclusive prefaciado por um pastor gente fina. O tal do livro chama-se “Teísmo Aberto” e o pastor que prefaciou é o Eli Fernandes, mais uma figurassa batista.

Ultimamente tem me dado arrepio falar que sou batista. Bom, após matutar sobre tudo aquilo que tinha ouvido, fui correndo ligar para um pastorsinho velhinho, experiente, calejado da vida de ministério, talvez um dos poucos que tenha adquirido meu respeito. Perguntei a ele sobre a tal teologia liberal, e sobre o discurso contra o famoso “Deus tem um propósito para sua vida”. Ele me respondeu com voz tremola: “Filipe, se os pastores de hoje se preocupassem em pregar o amor de Cristo, estaríamos bem. Mas o assunto polêmico atrai mais fiéis, e a casa fica cheia, e inicia-se uma disputa sem fim, e quem tem o assunto mais interessante, atrai mais fiéis.”

Na tal noite de lançamento do livro, tentei inumerar os absurdos que estava ouvindo. Mas quando cheguei no décimo quinto, simplesmente desisti.

O homem vem tentando culpar a Deus, ou pelo menos discutir de quem é a culpa de catastrofes causadas pela nossa própria raça.

Esse tipo de mentalidade abriu precedente pros caras discutirem até se Deus planeja um estupro. Hmm, será? Acho que todos nós ja ouvimos a frase “Deus te conhece antes do ventre da sua mãe”. Logo: “Se você nasceu de um estupro, Deus ja sabia?”, indaga de maneira irônica a teoria mirabolante de Kivitz.

Nossos teólogos vem tentando colocar Deus, e sua superioridade, dentro de uma caixinha de sapato. E AI dele se tentar sair! Não se fala mais em amor, em ajuda ao proximo. Não se fala em dependência completa de Deus, nem sobre graça e misericórdia.

Pessoas naquela noite precisavam de palavras de conforto, de paz para as ciladas da vida, tranquilidade após um dia de trabalho. E o que ouviram foi algo que torrou a cabeça, tirou a paz, e tirou a cabeça do foco principal. Ao invés de assunto tão mediocre para fracos na fé, podia ter-se feito algo melhor para pessoas que não são 100% convictas de alguns assuntos.

Mas infelizmente trouxe-se um assunto de fórum teológico, para o meio da igreja, e colocou-se dúvida no coração de quem não precisava de mais um motivo para encucar-se.

E antes que alguns devotos dos pastores acima venham me apedrejar, tentem ao menos ler o que segue abaixo.

Para quem ainda tem dúvidas sobre o por que do sofrimento, e da permissão de Deus para coisas más na terra, sugiro a leitura de alguns textos:

Sofrimento sempre indica maldição, fracasso ou pecado na vida? Leia Atos 14.22; João 16.33; Romanos 5.3-5; 2 Corintios 4.17; Filipenses 1.29; 2 Corintios 7.5

Enfim, por quê, mesmo sendo cristãos, temos que enfrentar dor e sofrimento? Por quê, ou para quê? Leia Provérbios 3.12; 19.19; 22.24,25; Gálatas 6.7; Lucas 13.4; Atos 27.41-44; Jó 1.8-12, Tiago 1.2-4, Salmos 66.10; Romanos 5.3-5; Gálatas 4.19; Romanos 8.35-37; 2 Corintios 12.7-10; 1 Pedro 5.10,11; Colossenses 1.24; Filipenses 4.14; 1 Pedro 3.17; 4.12-19; Filipenses 1.29

By Filipe Fernandes
Retirado de Solomon1