Uma Longa Estrada…

O grande problema de quem gosta muito de estrada, viajar, de estar em lugares diferentes e conhecer pessoas e culturas diferentes, são as bagagens que se acumulam no caminho. Na verdade, não é um problema, é um erro. Por experiência, essas viagens mudam o nosso modo de ver o mundo, o modo como nos vemos e como nosso umbigo é, na verdade, só um umbigo. Mas parece que a gente precisa de coisas palpáveis pra nos lembrar desse momentos. Então chega determinada hora que tudo se torna enfadonho e cansativo. O fardo da mochila fica pesado demais. Há tanta quinquilharia nas costas que os pés não pisam mais o chão com prazer. A caminhada é dolorosa e parece perder o sentido. Um dia experimentei largar toda a bagagem e seguir com o que era estritamente necessário. Interessante foi o fato que, depois de deixar a bagagem em algum lugar por ai, me sentia mais leve para compartilhar aquilo que tinha guardado na mente e no coração, com conhecidos e desconhecidos que também caminhavam a procura de seu caminho, ou fugindo dele.
Final de ano é um ótimo momento para parar e verificar o peso da mochila. E, pelo menos a minha, anda pesada demais, cheia de coisas que pareciam úteis em um primeiro momento, mas são só acumulo. Não me servirão pra nada.

Não da pra não pensar no que Jesus disse:

“Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.”

Em toda viagem, nem que seja em um banco de praça, rodoviária, abrigo, albergue ou um canto escuro qualquer, é preciso um período de descanso pra repor as energias. Você entende essas coisas quando viaja com pessoas que só dormem ou que estão sempre pilhadas, mas nos momentos únicos da viagem, elas não conseguem prestar atenção ou perceber o que está acontecendo.

“Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.”

E esse tempo de parada se faz necessário justamente pra que a caminhada possa prosseguir. E a humildade de coração, pra que possamos aprender a ouvir, curtir o momento, a refeição, o lugar e as pessoas, por mais estranhas que sejam. Já viajou com gente só reclama e nada está bom? Só pensam em voltar pra casa. Sentem uma saudade obcecada pelo comum. Amam a estagnação.

“Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve”.

Momento esse também de verificar a mochila. O que falta e o que tem de sobra. Já viajou com gente acha que a viagem só valeu a pena pelas coisas que comprou? E não entende que o maior presente é o novo “eu”.  Que quando voltar pra casa não precisará mostrar coisas, mas poderá compartilhar pedaços da terra, do ar, do céu e da alma.

 
Aprendi que todo “pé na estrada” tem a ver com anseios da alma. Não menos. Qualquer coisa fora disso , é uma viagem turística que te levará a pontos restritos e te fará julgar o todo por uma pequena parte. Você vai conhecer lugares e coisas maravilhosas, mas pouco aprenderá de vivência e pessoas. E a única lembrança que terá será, no máximo, um imã de geladeira.
 
O meu convite é; independente do caminho que você decida trilhar, espero que não seja apenas como um turista, que quando as coisas não saem como o planejado, acha que é desperdício e não aprendizado.
 
E se preciso for, recalcule a rota.
 
 
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