Licenças

Tem poesia que não gosta de conversar
É somente som
Rima
Música dançante aos ouvidos
Ainda sim, poetisa

Tem poesia que denuncia
Chega ser estridente
Tiro
Traçante dividindo dicotomia
Ainda sim, alivia

Tem poesia que não se compromete
É carta aberta
Coração
Aquela desconhecida que passa sem aviso
Ainda sim, brilha

Tem poesia que é pra te ter
Mas não carrega seu nome
Identidade
É preciso se conhecer pra se ver
Ainda sim, você

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Saudade

Saudade de fazer poesia
Daquele tipo: vazia
De raiva e beleza
Como vinho derramado à revelia

Saudade de jogar palavras na mesa
Sem dispor a tesa
Feito baralho velho
Rei, Rainha, Valete e destreza

Saudade da nudez
Pele branca: Palidez
De amor e medo
Compromisso feito a três

As vezes tenho saudade de mim
Daquele esquecido na esquina dos anos
Sem muito talento e nenhuma rima
Construção rota da vida.

Confusão

Certo é o incerto, que deixa incomodo o confortável sofá da sala
Incerto é sempre certo, que faz o sono ir de sobresstalto mesmo nas madrugadas chuvosas
Louco é o mundo que recusa a sanidade, o cuidado e ama o sarcasmo
O mundo é muito louco, como se loucura fosse quantificada

Breve é um momento que nunca acontece e sempre espera
Momento é uma breve relação com si mesmo
Rápido, provavelmente, é algo que deixou passar
Provável é algo que tende a dar errado

O amor espera ou se espera o amor? Nunca sei
Sei que nunca já deixou de ser
O tempo é algo que nos diverte, engana e destrói
E no começo tudo é fim

Mas amarga derrota que confunde os pontos
Derrota a verdade da amarga reconstrução
Perto, longe, distante e breve
E no fim, tudo é começo