Viva La Vida!

Eu sou instintivamente provocador. As vezes, acho isso uma virtude. Outras vezes, nem tanto. Gosto de ver como as pessoas, inclusive eu, reagem a determinadas situações. Adoro conversas francas em que toda a beleza e todo o podre é vomitado sem muita frescura. Particularmente, acho lindo o processo de auto exposição. Entendo que é extremamente complicado, dolorido e, muitas vezes, vergonhoso. Mas por entender que é um árduo caminho à cura, valorizo demais isso. Tento aplicar isso a eu mesmo, sempre que posso. Sempre que me permito. Sempre que tenho coragem. Ou seja, não tão frequentemente quanto eu deveria. Esse processo assusta e afasta muita gente. Mas meu cérebro processa algumas situações de forma diferente da maioria das pessoas. Algumas delas ainda não entendem a minha posição quanto a dor e sofrimento. Compreendo por que, apesar de compartilhar dessas idéias, principalmente aqui no blog, foi algo que eu aprendi no meu constante processo de mutação. E nesses dias tenho passado por uma nova fase que quero trazer a vocês.
Uma das séries americanas que mais tem me chamado atenção atualmente, é FlashForward. Hoje, considerado por muitos, como o “novo” Lost. Em resumo, a série tem como base o fato de toda a humanidade sofrer um “blackout” por 2 minutos e 17 segundos. Nesse período de apagão, todos veem seu futuro. O que estarão fazendo daqui a 6 meses. Uns encontrando um grande amor, outros com seus casamentos destruidos, uns recebendo vida e outros sabendo que estarão mortos. Imagina o caos causado. Mas é extremamente interessante ver a ação e reação das pessoas. Mais ainda, é se ver muitas vezes vivendo e sentindo o que elas estão sentindo. Admitir que “eu faria o mesmo”, ou não.
Acho que esse seriado mostra um pouco do porque Deus não nos permitir saber o futuro. Sem dúvida nenhuma, seria um fardo pesado demais para carregar.
O que você faria se soubesse exatamente a data e a forma da sua morte? Tentaria escapar do “jogo” como no filme Premonição? Deixaria de viver a partir de agora, achando que a vida não tem mais sentido ou viveria mais intensamente?
O que você faria se soubesse que vai perder a pessoa que mais ama? Ou se descobrisse que essa pessoa vai te ferir lá na frente, mesmo admitindo hoje que isso seria impossível?
Fiquei muito tempo pensando sobre questões como essa. Cheguei até sonhar com isso.
Mas é importante notar que Ele não quer nos deixar na completa escuridão, também. Nisso, utilizo do livro Ensaio Sobre A Cegueira de Jose Saramago, que foi muito bem retratado em filme e mostra o outro lado da moeda. Não ver e entender nada a volta. Sem uma perspectiva real do futuro. Estar na completa escuridão e ser dominado por um instinto animal, que se sobrepõe ao amor, compaixão, cuidado e outros milhares de adjetivos, sintetizados no “Amar ao próximo como a si mesmo”.
É assustador ter noção de quanta maldade e irracionalidade guardamos dentro de nós. O velho ditado que diz “nunca diga nunca” é valido à QUALQUER UM de natureza humana.
Um exemplo prático disso. Quem é que nunca viu alguém “passar por cima” de outra pessoa para poder ser bem sucedido profissionalmente? Será que nós mesmos nunca fizemos isso, vivendo na “gana” de garantir o futuro ou com medo do passado de sua familia e de outras pessoas a volta, se tornarem sua realidade?
É durante essas minhas “viagens de ácido” que começo a entender e dar valor real a Graça. De forma muito nonsense, ela se manifesta desconstruindo o presente, passado e futuro. Colocando o caos dentro de nós no seu devido lugar. E muitas vezes usando-o como combustível para motivações que trazem crescimento a todos a nossa volta, e não só a nós mesmos.
“Negar-se a si mesmo” fica martelando na minha cabeça. E a briga interna de querer ter um FlashForward ou de, simplesmente, querer viver no escuro desaparece, na esperança de que tudo foi feito por e para Ele. E que Sua vontade é perfeita e agradável.
Nessa desconstrução da Graça, precisamos entender que muitas coisas que consideramos como objetivo, na verdade, são estradas.
Santidade e relaciomento são caminhadas constantes e não um alvos inalcansáveis, por exemplo.
O processo é SEMPRE melhor que o fim. O viver é melhor que o nascer e o morrer. Porque é no viver que se deixa o legado. E o BOM legado trás vida a outras pessoas, mesmo depois de voltarmos ao pó.
Viver em função do futuro e/ou do passado é como viver em uma gaiola de ratos. Correremos como loucos, nos cansaremos e quando a vida estiver no fim, perceberemos que estamos exatamente no mesmo lugar.
Que você não odeie sua vida. Aprecie a alegria. Permita que ela faça parte do seu cotidiano. Aprenda com a dor, por que é ela quem te faz crescer. Celebre a vida, mas também a morte. É frente a morte, que somos despidos de todas as futilidades. É na sua iminência que podemos trazer sentido a nossa vida e a de outros.

Que o capítulo 6 de Mateus possa trazer uma nova perspectiva de como lidar com a vida e suas questões. Existir não significa nada. Viver é tudo.

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9 pensamentos sobre “Viva La Vida!

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  3. Eu sempre admirei os seus posts…alguns deles falam mais fundo do que poderia imaginar.

    Deus te abençõe e não pare de escrever, você faz mais diferença do que imagina.

  4. Meoo,
    eu amoo Flash Forward. E o jeto como vc relata, é perfeito!
    Muito bom, amei!
    Sempre que sobrar um tempo dou uma passsada aqui!
    PARABENS!
    Beijos

  5. É isso, meu irmão…
    vc consegue verbalizar uma grande piração da minha cabeça…

    muito boooom!

    Deus tem feito vc fazer um buraco na minha viida!

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