Fragmentos

Pesquisando sobre psicose, entre dicionários e artigos científicos, uma frase aleatória me chamou atenção; “…às vezes acompanhado de estados alucinatórios”. Fiquei intrigado ao pensar que, se a psicose é um distúrbio que distorce as percepções de realidade, porque só “as vezes” acompanha o estado alucinatório?
No Livro do Desassossego, Fernando Pessoa, pelo semi-heterônimo Bernardo Soares, escreve: 
“Há qualquer coisa de longínquo em mim neste momento. Estou de fato à varanda da vida, mas não é bem desta vida. (…) Sou todo eu uma vaga saudade, nem do passado, nem do futuro: sou uma saudade do presente, anônima, prolixa e incompreendida.”

Um das coisas que mais me enchem de graça, no sentido amplo da palavra, ao ler sobre Cristo nos evangelhos, é um claro chamado aos contadores de história. Ao longo de sua caminhada Jesus conta várias parábolas para que uma nova história seja escrita na vida das pessoas que se achegam a Ele.
Rubem Alves cita; “faz tempo que para pensar sobre Deus não leio os teólogos, leio os poetas”. Jesus foi além. Usou os poetas para explicar os teólogos. Mas não se iluda. Não há como apequenar O Cristo.
C.S. Lewis traduz isso de forma prática:  Continuar a ler

Ler é Moda

Ler é moda. Tipo Bacon, The Walking Dead, falar mal de pastor, criar memes e afins. As vezes sinto que sou julgado por algumas pessoas como se, todas as vezes que falo de algum livro, estivesse ostentando um estandarte de pseudo “cult”. É só uma sensação que, sinceramente, não me incomoda em nada. Mas torço para que a moda de ler permaneça para sempre, com pessoas ostentando sua intelectualidade ou não. Eu mesmo já fiz muito disso, me sentir alguns níveis acima por ter lido determinados livros em detrimento a outros. Autores da moda, na minha época, (como se eu fosse idoso) como Sidney Sheldon, Norah Roberts, Agatha Christie e outros romancistas que hoje não tenho muita paciência para ler, foram cruciais na minha formação como leitor assíduo. A questão é que, os mesmos livros que te entregam sabedoria, eloquencia, e tantos outros adjetivos, são os mesmos que te colocam de joelhos na sua ignorância. A primeira vez que li “Irmãos Karamazov” do Dostoievski, foi agoniante. Comecei a me identificar com vários personagens simultaneamente, principalmente na hipocrisia, no ódio, nas manipulações… no pecado. E como característico da escola russa, o fim não era nada hollywoodiano. A “Abolição do Homem” é um livreto escrito por C.S. Lewis em sua fase deista/taioista. Demorei um pouco mais de 6 meses para digerir. Impossível lê-lo como “leitura de busão” ou simplesmente passar batido por cada frase dele. Tolstoi me levou ao extremo da Justiça Social, me forçando ser, além de crítico, prático. Gandhi me introduziu a filosofia de Não Violência. Me ensinou a abaixar a cabeça com sabedoria e me forçou a aperfeiçoar a boa argumentação. Rubem Alves me ensinou amar analogias, contos e parábolas. Até hoje me ensina sobre a “urgência paciente” da vida. Thoreau foi ao extremo pra que eu aprendesse equilibrar a utopia e a prática, sem jamais perder o horizonte. Tolkien me apresentou o fantástico palpável. Kerouac, Ginsberg, Burroughs, Bukowski e boa parte de sua geração me ensinaram a amar a vida desesperadamente. A Bíblia me deu equilibrio nisso tudo. Entenda que tudo isso que citei ainda é construção. Muitas coisas estão na fase do alicerce ainda. Poderia escrever um livro falando só de livros e minhas experiências com eles. Inclusive, duas dicas: Alma Sobrevivente do Philip Yancey e “Muito Mais Que Palavras” do James Calvin Schaap & Philip Yancey. Livros que valem ler e anotar todas as indicações de leitura. No fim, se depender de mim, serei eternamente um leitor “wanna be” disposto a compartilhar experiências e dicas. Be fashion baby!

Deus e nossas suposições!

Esse texto eu escrevi sobre o título “Deus, um delírio?” para o Solomon1 em 2008. Em vista de muitos debates a respeito da bondade de Deus, teismo aberto e outros, resolvi re-publicar aqui no blog. Sei que ele é bem superficial para algumas questões, mas serve como reflexão.  Nesses últimos dia tenho ouvido muito a banda Augustana. Conheço eles relativamente a pouco tempo e por isso fui atras das letras pra sacar qual o contexto lírico. Confesso que me surpreendi um pouco. Pela linha de som que eles fazem, achei que seriam letras sobre paixão, romance, relacionamentos quebrados e etc. Não que as músicas deles não tenham esse apelo, mas prestando atenção a letra da música Dust, você se depara com as seguintes frases… “Cause I believed in the Lord But he don’t show up anymore” (Porque eu acreditei em Deus mas Ele não aparece mais)… “If you can’t love sin, who can you love?” (Se você não pode amar o pecado, quem você vai amar?” Eu, como músico, entendo que não se escreve uma letra com esse conteúdo sem um porque. Então lá vai eu novamente pesquisar sobre a banda. Não foi tanta surpresa descobrir que Dan Layus, vocalista do Augustana engrossa a lista de pessoas que “nasceram dentro da igreja” e que hoje são totalmente céticos quanto a Deus. Ele me faz lembrar Katheryn Hudson, que aos 15 anos cantava na igreja e chegou até a gravar um CD com músicas cristãs e hoje é conhecida como Katy Perry e a compositora de um dos grandes hits da atualidade. “I kssed a girl and i liked it” (eu beijei uma garota e gostei) é a frase que ecoa em sua música.  Em uma entrevista, Dan diz o seguinte sobre sua “vida cristã” na época da escola.

“Eu era muito jovem para entender qualquer coisa e eu praticamente me sentia espiritualmente usado. Ao longo do ensino médio (em uma escola cristã) fiz coisas da qual sinto vergonha hoje. Eu tinha a mente tão fechada naquela época. Mas você não pode culpar a si mesmo quando se tem 15 ou 16 anos e seus pais e todos a sua volta dizem que tem que ser assim”.

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Pensamentos Sobre O Sofrimento II

“Deus certamente não estava fazendo uma experiência com minha fé nem com meu amor para provar sua qualidade. Ele já os conhecia muito bem. Eu é que não. Nesse julgamento, ele nos faz ocupar o banco dos réus, o banco das testemunhas e o assento do juiz de uma só vez. Ele sempre soube que meu templo era um castelo de cartas. A única forma de fazer-me compreender o fato foi colocá-lo abaixo.”

C.S. Lewis em Anatomia de uma Dor