Mexerica

Foi logo de manhanzinha. Tomei um soco na boca do estômago quando entrava em uma quitanda. Estava sonolento e fiquei totalmente aturdido pois não estava esperando por aquilo. Não sabia mais onde estava.

O senhor que vinha me atender me olhou nos olhos e perguntou se ficaria bem. A porrada tinha sido tão forte que foi quase impossível segurar as lágrimas. As palavras faltaram junto com o ar.

Balancei a cabeça lenta e afirmativamente.

Ele insistiu:

– Tem certeza?

– Mexerica – respondi com dificuldade tentando explicar.

– Mexerica?

– O cheiro de mexerica. De repente eu estava na minha antiga velha casa com minha mãe descascando um saco de mexerica e conversando sobre qualquer coisa.

O vendendor ficou com cara de paisagem sem entender nada. Desisti das frutas e fui tomar um café pra conversar comigo mesmo.

Memória afetiva, além de roubar o folêgo, as vezes, rouba a lógica.

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