Mãe

Não pretendia escrever nada a respeito, apesar de ter feito nos últimos três anos.
É uma data importante, mas a gente nunca teve apego.
Chega uma hora que ninguém mais quer ouvir a respeito, mesmo pessoas próximas. E eu entendo elas, de verdade.
O que resta é deitar na cama, apagar a luz pra ninguém ver e chorar de mansinho.
Como disse, não planejei escrever nada. Mas em algum momento as palavras começaram a vazar de mim, fui perdendo o controle, tremendo por dentro, e aqui estou. Desculpa!
Não quero te desejar feliz aniversário, mãe.
Não faz sentido. Passou. Seu tempo aqui se foi e acredito que esteja muito feliz por isso.
Eu só queria desaguar mesmo. Abrir um pouquinho as comportas peito.
Dizer que tenho um monte de coisa pra te contar.
Tenho uma lista de perguntas pra fazer.
Saudade do seu sorriso, seja em que situação for.
Sinto falta do seu café. Do cafuné.
Tô com saudade.
Daquelas bem doidas. Doloridas.
Que não cabe em palavras.
Tô meio sem foco. Desconexo. Com partes faltando.
Mas juro que tô indo. Tô seguindo em frente.
Sou meio teimoso e cabeça dura ainda.
Mas vai dar certo, mãe.
A gente é daquele tipo que não desiste, né?
Uma hora te conto tudo, com calma. Sem embargar a voz.
Tô aqui, ouvindo a Elis cantar você.
“Mas é preciso ter manha
É preciso ter graça
É preciso ter sonho, sempre
Quem traz na pele essa marca
Possui a estranha mania
De ter fé na vida”
Até mais. Te amo muito.

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2 pensamentos sobre “Mãe

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