A Luz

Calou-se.

Não deixou que nenhum som saísse de sua boca. Não permitiu ao coração outra função que não fosse bombear sangue.

Desacelerou.

Uma parada cardíaca pelo bem das feridas expostas. Para que não sangrassem nunca mais.

Se voltou para dentro. Parou a respiração para que nenhum som ensurdecesse. Largou a minha mão. Não queria sentir mais o suor dos dedos entrelaçados.

Fechou os olhos para não distrair a atenção. Queria somente enxergar o caminho. Tateou a parede até o interruptor. Tudo o que era artificial, inclusive a luz, se foi. Já não existia mais.

De repente, um grito de dor. Chorou. Um choro aberto de criança. E meio sem entender, percebi.

Ela havia acabado de dar à luz a si.

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