Laxante Para Alma

Não costumo medir palavras. Na verdade, sempre falo um pouco além da conta. Sou mestre em falar em momentos inoportunos. E, infelizmente, guardar silêncio quando deveria gritar. Mas me valendo de uma analogia proposta por Rubem Alves, minha mente é constantemente masturbada por muitas histórias. Observo e absorvo demais. O que, por fim, me causa um certo tipo de “ereção precoce textual” (Deus abençoe os neologismos).
Refletindo algumas situações ocorridas ao longo da vida, penso ter alimentado muitos porcos com pérolas. E, com certeza, tudo o que já comi de Bacon nesses anos não devem ter compensado isso.
Mas eis que não me arrependo. A sensação é de que escrevo e fico mais pobre. Talvez, justamente, por julgar possuir muitas pérolas – provável delírio de grandeza. Mas, na real, depois que público algumas coisas, envio um inbox inflamado pelo momento ou recebo algum tipo de reprovação que faça sentido, penso que estou, na verdade, sentado na privada de porta aberta.
Mas desculpe, não me importo – mentira, me importo sim, mas sou relapso.
Sou muito atento a pequenas situações corriqueiras. E parece que quando compartilho sobre isso, tenho a tendência de tentar olhar pelo ponto de visão do outro. Peco, as vezes, em buscar o especial no que os outros acham especial.
Mas a gente acaba revistando tudo isso e se colocando na berlinda.
Aprendi que um bom texto não é aquele que faz o leitor se identificar com o autor. O bom texto faz o leitor se identificar com ele mesmo, independente de quem escreveu. Então, o que escrevo já não é mais meu.
Talvez eu continue falando demais sobre coisas nonsenses em momentos inoportunos. Mesmo que alguém venha dizer “mas quem ele pensa que é?”. E ai, meus amigos, ai está a resposta.
E talvez sentar-se a privada de porta aberta possa inspirar quem vive com prisão ventre a aliviar toda as dores.
Se essa é minha sina, talvez seja hora de comprar mais rolos de papel higiênico. E, quem sabe um dia, quando os vermes estiverem dando conta do meu corpo enterrado, alguém consiga se lembrar de como, em algum momento, fui um bom laxante pra alma.

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Um pensamento sobre “Laxante Para Alma

  1. “Refletindo algumas situações ocorridas ao longo da vida, penso ter alimentado muitos porcos com pérolas. E, com certeza, tudo o que já comi de Bacon nesses anos não devem ter compensado isso.”

    Muito bom!

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