O Corpo

Voltei para academia no último mês por uma questão de saúde. Ela, em nada, me é prazerosa. Mas sempre que começo algum tipo de exercício lembro que tenho um corpo.
Explico.
Quando nos manifestamos a respeito dos amores e dores da vida, quase sempre, vinculamos as partes subjetivas da nossa existência. Falamos de corações e mentes, alma e espírito para refletirmos aquilo que é belo, o que nos incomoda, as ansiedades, desejos e paixões.
Utilizamos desse mecanismo para descrever situações/sensações profundas.
O problema é quando isso é o todo e esquecemos que temos um corpo que, por ser finito, é muito mais urgente.
Se há algo, minimamente, fora do lugar o corpo se comunica através da febre. Se esbarramos com o dedinho na quinta da mesa, o corpo todo grita. Se a for é muito forte, o corpo não faz rodeios. Desliga-se e desmaiamos. Se estamos extasiados com algo ou alguém o corpo se agita, as mãos soam, a articulação das palavras é dificultada e, muitas vezes, da até vontade de cagar – alguns chamam isso de borboletas no estômago.
E eu tô aqui todo dolorido, braços e pernas, me perguntando; o que será que o corpo quer comunicar? O que tanto ele já me disse que eu, surdo, deixei passar?
Se a subjetividade nos ajuda na falta de palavras, há de se saber que no dicionário Aurélio, por exemplo, existem mais 400 mil palavras catalogadas, fora as que criamos no dia a dia e as incorporadas de outras línguas.
Seria perder grande parte da vida não se permitir dialogar com o corpo.

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