Sob a Luz da Ribalta

Os livros que, definitivamente, marcaram minha vida estão também na lista dos mais difíceis que já li. Tramas complexas, emaranhado psicológico, buraco de minhoca e tensões que me causaram reações físicas. Quase todos eles, em algum momento, eu não conseguia entender o por quê da história ter desembocado ali. Quando isso acontecia, o instinto era de simplesmente fechar o livro – “não entendi. Não quero entender. Pra mim chega” – jogá-lo de canto e começar outra história, quem sabe, mais fácil. Mas depois de um tempo de respiro resolvia reler alguns capítulos ou voltar para o começo de tudo a fim de relembrar o contexto.

A vida, muitas vezes, funciona exatamente assim. De repente estamos sob a luz da ribalta e nos perguntamos “como vim parar aqui?”. A primeira reação é desistir – de algo, de alguém ou de si mesmo. Mas o convite talvez seja o de reler alguns capítulos – se lembrar. Entender que, provável, você esteja no meio da história, caminhando ainda, subindo a montanha em direção ao clímax da sua vida.
Custa. Dói. Sangra. E só você sabe a carga carrega. Mas, em dias tenebrosos, se pudesse dar um conselho a mim mesmo eu diria “é melhor se lembrar do que desistir”.
Que as lamentações possam ser como a de Jeremias de “trazer a memória aquilo que dá esperança”.

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