Redenção

O nascimento de Jesus pode ser visto sob vários olhares. Deus-menino, refugiado, ameaçado de morte, libertador, Messias, Emanuel, a improvável salvação nascida num estábulo,… o contexto permite cunhar várias histórias e adjetivos.
Entre os primeiros a conhecê-lo e adora-lo estão os tais magos do oriente. Não judeus. Não cristãos (óbvio que esse conceito ainda não existia). Mas deixa claro que já no seu nascimento um objetivo é percebido: Redenção.
Justamente para Herodes os magos perguntam: “Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo”.
Eles não procuram um líder político, social, religioso ou correlato. Eles perguntam justamente a essa entidade, Herodes, que carrega todos esses adjetivos, sobre o Deus-menino.
Herodes e o centro do poder em Israel, Jerusalém, sentem-se ameaçados por conta de um possível cumprimento da profecia e confabula para chegar ao garoto e matá-lo
Mas um grande processo de redenção pode ser percebido. O menino Jesus redime sua própria genealogia duvidosa, o local de seu nascimento, o rito da adoração e o adorador. Por fim, os magos financiam a fuga de Jesus e seguem de volta por um outro caminho.
Quando João pergunta se Jesus era mesmo aquele que haveria de vir, recebe a seguinte resposta:
“Os cegos vêem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados, e aos pobres está sendo pregado o evangelho”. E ele termina com uma frase intrigante “Feliz é aquele que não se escandalizar em mim.”
Interessante ele citar sobre escândalo e vez de falar sobre duvida, o que me pareceria mais óbvio num primeiro olhar.
Mas penso que (1) Jesus não deixava margem para dúvida, apesar de não se revelar por completo. (2) A palavra ‘evangelho’ não era uma palavra desconhecida do povo da época. Quando a casa real gostaria de compartilhar uma boa notícia, aos seus olhos, com o povo, por exemplo, o nascimento de um filho, sucessão real ou noticia que o valha, um evangelho era escrito e distribuído. A boa noticia era espalhada.
A afirmação de Jesus que o seu evangelho estava sendo pregado aos pobres tem um poder enorme. Mas não podemos fazer uma leitura incompleta disso. Ele não simplesmente declara subversão ao poder estabelecido, ele afirma, acima de tudo, o caráter redentor da sua vida e missão. Ele expõe sua fragilidade humana, ao mesmo tempo, sua origem divina, chegando ao seu ápice no paradoxo da cruz, o fim e o início de tudo.

A redenção de Cristo nos convida a restaurar a nossa humanidade plena, o nosso coração de carne, o cuidado para com o meio ambiente, o exercício da fé sem barreiras, a vida comunitária que não demanda paredes, a percepção do próximo e um cuidado especial para com os desfavorecidos da sociedade. Vai além, com certeza. Mas essa é uma boa síntese.
Fomos Adão e Eva. Fomos o carrasco de Cristo. Mas somos o alvo da sua redenção.
Que Ele nos permita ver o sinal. A estrela que nos leva a conhecer e adorar o Deus-menino.
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