Uma Vida de Interrogações

Relendo “O Dia do Curinga” de Jostein Gaarder, entre tantas conversas, há o seguinte diálogo entre pai e filho:

– O que ensinam pra você na escola Hans-Thomas? Perguntou meu pai.
– A ficar sentado na carteira sem perguntar nada. Respondi.
– Está aí uma coisa tão difícil que a gente precisa de anos para aprender.

Parece que sou fruto desses anos. Não há muito espaço para dúvidas nos meus dias. Minha fé precisa ser resoluta, a vida profissional, amorosa e tudo mais precisa ser uma eterna afirmação. É preciso ter respostas para tudo.
E numa auto reflexão, concluo que uma vida de pontos de exclamação, corrompe.

Creio ser necessário desconstruir algumas afirmações e se converter às perguntas. Mesmo as mais óbvias.
O inflexível afirma a si mesmo. A pergunta é inclusiva. Aceita uma realidade mais ampla. Entende o desconhecido como parte do processo de crescimento e não é cooptado por si próprio a posição de Deus.
Até Jesus se colocou a disposição de lidar com as tantas realidades de sua vida “Quem vocês dizem que eu sou?”.
E isso não significa se moldar pela visão de outrem. Mas entender que a nossa identidade é mais ampla que os nossos olhos enxergam.
Citando uma música do Crombie:

Eu me conheço mais
Olhando pra você, eu vou
Descobrindo quem sou
E penso agora no que você vê.

O que me diz de mim
O que eu não reconheço, sem você
Eu não me enxergo bem
Se vivo a vida sem querer saber de mais ninguém.

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