Viola, Minha Viola

Não tinha nome de artista.
Tinha nome de mãe, de vó, de tia.
Inezita.
Não tinha papas.
Nem na viola e, muito menos, na lingua.
Tinha histórias.
De rico, de pobre e de pinga.
Aquela marvada que tanto à atrapaiava
E a levava, de noite, pro suador danado.
Cantou a Tristeza do Jeca e costurou muitos retalhos.
Entornava o cardo e rondava a cidade nas noites de sábado.
Mas não tinha conversa.
Sem falta, de domingo a domingo, era a cor e o som das minhas remelas.

Só que ontem foi diferente.
Vó Zita não mais acordou.
A viola chorou. E como chorou.
Choro de saudade. De falta.
Inezita se despedia.
Deixava vida à vida.
E pensando sobre o que sempre dizia
Tenho a impressão que quis dar o golpe do baú.
Para garantir um belo futuro de belezas, histórias e poesia
Casou e fugiu com um tal de José Rico.
Mais uma de suas estrepolias.
Saudade, chica.

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