Amadurecer

Há uns dias assisti novamente ‘As Vantagens de Ser Invisível’. Filme que gosto muito e, resumindo, trata de uma das épocas mais tensas na vida, a adolescência. Altamente recomendável para quem ainda não viu.
Estava refletindo sobre esse período e vendo fotos antigas de familiares e amigos. Percebi o tanto de gente que me influenciou para o bem ou para o mal. E mais ainda, o tanto de gente que simplesmente me castrou. Pelo menos por um período, abafou toda minha identidade em construção para que eu fosse o que eles gostariam que eu fosse. E naquela velha história de “ser aceito” cedi a pressão quase todas as vezes.
Hoje, analisando a vida dessas pessoas que me sufocaram, muitas ainda próximas a mim, percebi que, na sua maioria, estavam somente projetando seus medos e incertezas. Quase todos que, aos meus olhos adolescentes, pareciam resolvidas com a vida, na verdade, estavam mais perdidos que eu.
Ao longo dos anos aprendi que todo mundo está perdido nesse mundão de Deus. Todo mundo, sem exceção. E, em geral, existem dois tipos de perdido. O que está caminhando sem um vislumbre concreto do futuro, apesar de alimentar e trabalhar em cima de expectativas e utopias, e o que simplesmente pararam de caminhar e julgam que qualquer expectativa e utopia é banal.
O primeiro grupo, normalmente, é os que tem machucados expostos, feridas de amor, muitas cicatrizes e conserva uma alegria salgada em ironia que ajuda a lidar com o mal de cada dia.
O segundo grupo tem pele lisa e vive intensamente (insanamente). Não porque ama a vida. Justamente o contrário. Vive tudo num dia só porque perdeu a esperança no amanhã. E nenhum sorriso transmite alegria, somente cinismo. Eles tem uma opinião formada sobre tudo, enquanto o primeiro é uma metamorfose ambulante.
E, empiricamente, afirmo; o segundo grupo é muito superior ao primeiro. Muito mesmo.
Por outro lado, toda vez que me sinto tentado a flertar com os cínicos, lembro que eles sempre são péssimas companhias para um café quente ou uma cerveja gelada. E nos dias de tristeza e peso nos ombros, mesmo com cerveja barata, prefiro as utopias.
No fim, é preciso dizer que os dois grupos foram maturados. Eles não existem como identidade genética ou sentença dada. São, na verdade, um processo de quem um dia se feriu. Alguém que arrancou o tampão do dedão no futebol, caiu de skate ou bicicleta e se ralou todo e que foi despedaçado por algum amor adolescente. Uns abraçaram o peso do carma (no senso comum) como identidade. Outros preferiram a leveza da calma. E, mesmo depois de velhos, penso que toda hora é um bom momento para nos colocarmos novamente na encruzilhada da vida para decidir com que fardo queremos continuar caminhando.

Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios. (Salmos 90:12)

Para completar a reflexão

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