Entre Leprosos e Samaritanos

A igreja evangélica brasileira, na qual me incluo, tem sérios problema em lidar com militâncias dos mais variados segmentos. A despeito dos maiores debates e os pormenores ideológicos, uma coisa fica bem clara. Toda militância – baseada nos direitos humanos, expõe, quase como via de regra, a falta de concreto comprometimento de nós cristãos com os problemas cada vez mais complexos e expostos da sociedade no que tange, acima de tudo, proteger a vida.
Em suma, militâncias expõe nosso pecado de omissão ativa.
Um exemplo claro de tudo isso é a construção do Estado Laico, onde a igreja protestante teve papel fundamental na concepção (sugiro começar estudar John Wycliffe) e hoje somos nossos próprios inimigos, transformando um “governo de todos” em uma divisão entre “fieis e infiéis”. É isso, dado as devidas proporções, que o Estado Islâmico faz com armas na mão contra um povo fragilizado por guerras, fundamentalismos e onde, nós cristãos, somos minoria entre tantos outros povos.
O cristianismo confronta do menor ao maior. Disso não tenho dúvidas. Mas, antes, ama e morre por aqueles que o condenam. Sugiro quatro leituras que se complementam:
“Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
E Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.” Mateus 22:36-39
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16
“Nisto conhecemos o que é o amor: Jesus Cristo deu a sua vida por nós, e devemos dar a nossa vida por nossos irmãos.” 1 João 3:16
“Qual, pois, destes três te parece que foi o próximo daquele que caiu nas mãos dos salteadores? E ele disse: O que usou de misericórdia para com ele. Disse, pois, Jesus: Vai, e faze da mesma maneira.” Lucas 10:36-37
Não tenho problemas em ser odiado e rechaçado pelo que acredito como cristão. Só penso que, se isso acontecer, que seja pelos motivos certos como excesso de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade (Gálatas 5:22). Que gritemos MUITO ALTO em favor dos que não podem defender-se. Que sejamos defensores de TODOS os desamparados (Provérbios 31:8).
Que nos livremos da maldição de transformar toda a política em um debate exclusivamente moral, colocando vidas numa balança que não temos condições de medir e aferir, somente amar e morrer por.
E que fique claro, antes de tudo, isso é uma autocritica. Mas, se como cristão, tenho na conta um sem-números de boçais tidos como heróis por muitos, fica aqui a minha disposição de caminhar no sentido contrário. Sigo, nas minhas limitações, a militância do Reino de Deus, entre leprosos e samaritanos aprendendo sobre amor e justiça. Em favor da vida.

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