O Sonho

Tudo aconteceu mais ou menos assim. Eu morri.
Não entendi direito como, mas foi o que aconteceu. Lembro do barulho surdo do tiro e do vermelho sangue em minha roupa. Mas, curioso, não lembro da dor. Inclusive não saberia nem definir o que é essa tal de dor. Estranho.
Lembro das vozes. “Volte. Por favor, volte”. “Estamos perdendo ele”. Pessoas, gritos, sirenes. Era tudo meio confuso mas, enfim, o fim chegou. Não fiz força pra ficar. Não fiz força pra ir embora. Mas preciso lhes confessar algo. Fiquei frustrado. Cadê a luz branca?
Lembrei dos filmes “caminhe para a luz”. Mas na falta dela, admito, fiquei perdido. Tinha que seguir pra qual direção? Fica a dica, não confie em tudo o que os filmes dizem.
De repente eu estava dentro de um tipo de “túnel da memória”. Haviam palavras. Lembranças nas paredes. Fantasmas passando. Guerras e lutas corporais. Havia dor e sexo. Amor e ódio. Tinha esforço, vagabundagem, cheiro de vômito e perfume. Ressaca e manhã de sol na praia com brisa leve. Eu estava passeando pela minha linha do tempo. E, meu amigo, esqueça o Facebook. Você não tem ideia o que é de uma ‘timeline’ de verdade. É o melhor/pior filme já visto. Terror, Comédia, Suspense, Romance, Drama e Besteirol estrelado por você na melhor/pior fase de atuação. Mas tudo bem. Eu sabia como era o fim. E no fim, eu morria. Eu vencia. E aquela ânsia do perdão, hoje, era completa.
Não sentia falta de nada. Eu era pleno. Era como um eterno beijo apaixonado. Um abraço fraterno pra sempre.
Por outro lado queria sair correndo dali contar para meus amigos sobre tudo aquilo. Apesar dessa tensão de querer permanecer e querer voltar pra contar, eu estava em paz. Pensei “mamãe passou por isso aqui também. Quero ouvir como foi a experiência dela. Das histórias que eu não sabia. Será que a encontrarei em algum canto?”.
Sai correndo como se não houvesse amanhã. E não havia. Não havia medida de tempo. Tudo era ontem. Tudo era hoje. Tudo era amanhã.
Corri como louco. E no fim do túnel, suado, acordei de sobressalto na minha cama. Com febre e vontade de chorar. Eu estava tão perto.
Fiquei alguns minutos sentado na cama pensando e tentando lembrar de todos os detalhes do sonho. Fui beber água e ouvi uma poesia no coração.
“Vai morrendo aos poucos pra viver mais. Quem faz tudo o que quer, não vive o pra´lém da fé”.

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