Construção

Perdi o medo de altura na adolescência, por volta dos 14 anos, quando trabalhava de servente de pedreiro e ajudava a construir os andaimes improvisados de madeira. Nem de longe se pareciam com esses de aço que vão se encaixando. Eram feitos de tocos e tábuas, calculado no olho num tipo de matemática empírica – “acho que ta bom assim”. Só sei que estou aqui, vivo. E não lembro de nenhum andaime que tenha despencado. O segredo de verdade é trabalho de equipe. Se você fizer um tour nas periferias é possível ver a arquitetura de algumas casas que desafiam todas as leis da física. Algumas parecem de lego. Mas, quase que unanime, as casas foram construídas à muitas mãos. Há um pouco da qualidade e o do defeito de cada um.

Talvez essa seja a melhor maneira de “subirmos na vida” – construindo para além dos padrões. A vida é casa em construção. E devemos estar atentos para não trocar um belo padrão de casa construída na areia, distante das pessoas e do mundo, sujeito à desmoronar na primeira tempestade, ao invés desse complexo à muitas mãos que vai ganhando formas que extrapolam o racional, e podem orgulhosamente ser chamados COMUNIDADE.
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