O Vestido

O vestido dela era branco. Mas nada parecido com uma noiva. Tinha uma fita azul em volta. Solto. Fresco. Sujo de brincar na grama. Ela vestia liberdade. Era isso que o vestido e seu jeito de andar diziam. Mas não um tipo de manifesto que alguém lê e concorda se quiser. Assisti-la no seu jeito desajeitado de caminhar simplesmente tornava a verdade evidente dentro de você. Ela era livre. Mas não uma liberdade arrogante. Era algo conquistado e respeitável.Doloroso.

Ela se permitia mas não era, simplesmente, permissiva. Seus olhos transpareciam carência, as vezes. Algumas angustias a faziam tremer. O medo eriçava sua pele. O toque também.

Não tinha tempo para nada. Por isso tinha todo o tempo do mundo. Fazia chacota das suas paixões absurdas e perdia a linha quando sua musica favorita tocava onde quer que fosse. Dançava no corredor de produtos de limpeza do mercado e chegou até descer do carro, certa vez, para dançar sozinha de madrugada na rua frente ao semáforo vermelho.

No parque onde nos conhecemos nunca soube seu nome. Ela se quer olhou pra mim. Quem sorriu foi o vestido branco dela chamando atenção por todas as cores que ela o fazia ter. Me perdi totalmente na leitura naquele dia. Fechei o livro e fiquei imaginando tudo isso que escrevi.

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