O Som, Os Cegos e a Amizade

Eu estava esperando alguns amigos em frente a catraca da estação de trem. Logo para do meu lado um rapaz cego. Um dos funcionários se aproxima e pergunta se ele precisa de ajuda mas ele rejeita educadamente. “Estou esperando alguém”.
Alguns minutos depois se aproxima outro moço cego. Ele parece meio perdido. Para e bate com bengala três vezes no chão. “Bruno?” diz em voz alta o rapaz do meu lado. “Eu mesmo, meu amigo”. “Esse seu som é único. Reconheço de longe. Vamos almoçar que eu estou matando cachorro a grito”. “Vê se larga de ser ‘zóião’, Roberto”. Saem se escorando com muitas risadas.
Talvez, nada demais. Mas fiquei extremamente empolgado e pensativo com aquela cena e o poder da comunicação relacional. Trens passando, pessoas indo e vindo, um transito infernal e, um tanto quanto aleatório, três batidas de bengala no chão a uma certa distância fizeram dois amigos cegos se enxergarem.
Se isso fosse uma oração, pediria a Deus que reconhecesse esses sons durante a vida a fim de suportar, rir e partilhar refeições com meus bons amigos. E que, quando eu estivesse perdido, Deus, através desses mesmos amigos me ajudasse reconhecer o som no meio de tanta loucura.

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