Pequeno Espaço de Falta

Lugar violento esse pequeno espaço de falta. Onde todos são assaltados pela ausência, ludibriados pelo tempo e tentados pelo futuro. Como se ele, o futuro, fosse uma meretriz virgem em seus préstimos.
Mas não confunda. É um espaço vago, não de nada. É assalto, não pecado. É violenta esperança do porvir. Daquelas que aceleram as visões e fazem tropeçar os pés. Lugar pequeno. Apertado. Mas cheio de quartos. Disposto a oferecer abrigo a quem chega das longas caminhadas solitárias.
E a melhor forma de se viver aqui é sendo fora da lei. Ser estranho enquanto extraño. Por isso ando calmo e em paz. Amigo da saudade, pois ela sabe ocupar dois espaços ao mesmo tempo, o meu e o seu. E sempre deixo recado através dela todas as manhãs.
Aprendi. Do tempo sou servo de seu senhor. Não me afobo, a não ser em suspiros da inspiração que trás. Porque esse é um lugar de infinitos, como somente espaços incabíveis podem ser. Aqui o espelho rompe para a eternidade. Não envaidece. Nos torna grato. E sempre que me perco nas trilhas me acho no vislumbre das nossas mãos dadas no caminho lá na frente.
Imagine. Consegue contemplar nossos dias futuros? Sei que seremos surpreendidos. Mas não se preocupe. As ancoras que temos nos permitem navegar por quaisquer mares. E na falta de refúgio, esse espaço de falta cabe em qualquer lugar.

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