Desencontro

A gente se viu na distância e nos olhamos através do vidro. Ela se encantou e fugiu. Eu fugi e me arrependi. Me encantei. Me voltei mas o relógio não volta. Tarde demais. A ampulheta já virou.
Ainda sim me trata como um belo quadro na parede. As vezes como um santo no altar. Mas não se aproxima e nem me toca. Não oferece oração. Amiúde, abre seu coração nas monossilábicas palavras que as perguntas arrancam.
Penso que ninguém lhe olhou tão profundamente como eu. Presunção da qual me dou ao luxo de alimentar. Por isso lhe provoco. Tento acender aquela longínqua chama nos seus olhos.
As vezes a observo com medo tateando o escuro. Mas ela parece não se dar conta do quanto já caminhou. Chora com facilidade lagrimas quentes que me fazem sorrir, admito. As bênçãos do incomodo que a fazem caminhar.
Acho graça quando põe os pés pra cima como um retrato de descaso ou descanso. Fico pensando no que pensa. Se me tem em contas de reza ou só uma abstrata admiração.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s