Naufrágo

Pensei comigo “já sou marinheiro velho. Estou há muito tempo no mar e longe do porto”. Mas se me agarrasse a isso abandonaria expectativas. Estaria conformado com alguns calos nas mãos. Ancoraria no meio do nada até morrer de inanição ao balanço das águas sem vento. Daria uma bela poesia que ninguém leria. Ninguém saberia, na verdade.
Por isso sigo em calmaria e tempestade. Em fartura e necessidade.
Se existe algo que a vida ensinou com tamanha destreza foi naufragar. Nisso vou alerta, mas tranquilo. Se me despedaçar antes de atracar me afundo em tamanha leveza.
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