A Estação

Eram 8:30. Ela, linda, sentada no trem meio sonolenta, me olhava mas não via. Era puro reflexo. Cheguei esbarrando na sua perna no meio da leva de gente que entrou no vagão no empurra empurra tentando conseguir alguns centímetros cômodos até o destino final. Peguei o livro e voltei minhas atenções a ele. Percebi pouco depois que ela ora olhava pro livro, ora olhava pra mim. Estava em uma parte engraçada da leitura e não conseguia conter a risada. Vi que ela tentava segurar a riso também enquanto eu ria. Tipo aquela coisa de bocejar porque os outros bocejam. Na contracapa, que estava virada para ela, havia um recado “A leitura desse livro pode causar a incurável obsessão de comprar uma Kombi e sair rodando estrada fora”. Minha estação era a próxima. Tomei coragem e disse como se fossemos velhos amigos “acho que você deveria comprar e ler esse livro”. Ela entrou na brincadeira “acho meio perigoso. Vai que eu queira jogar tudo pro alto, comprar uma Kombi e partir”. A porta abriu de repente, peguei a mochila apressado e sai dizendo “se isso acontecer, por favor me avise”. Fiquei olhando do lado de fora e pensei “esqueci de deixar meu número com ela”. Merda!

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