Das Urgências da Vida

Ocasionalmente, a vida clama uma certa urgência. Um despertar. Uma resposta imediata. Amiúde, corremos como loucos num frenesi que nos parece demandado. Aquela sensação de estar em dívida, sem saber bem em relação a que e/ou com quem. E é preciso “correr atrás”. Não deixar passar. Ultrapassar.
Mas há aquela impressão que o horizonte está sempre se afastando. Ou, estranhamente, que nada sai do lugar mesmo que estejamos nessa corrida, empenhados, dispostos, suados e insones. Uma perpétua estagnação em movimento seguindo os impulsos a favor do vento.
Me ocorreu que a urgência da vida é a única verdade dessas impressões, mas num sentido paradoxal. Uma urgente necessidade de se acalmar e perceber que toda essa corrida, talvez, se dá dentro de uma roda numa gaiola de ratos ou nas distrações da roda gigante. A toque de caixa das muitas vozes indistintas. Num futuro sem presente.
Há de se considerar parar de correr, sair da gaiola e caminhar calmamente em sentido contrário, enfrentando as horas, a fim de perceber a leve brisa. Quem sabe, deliberadamente, seguir em direção a chuva e a temida tempestade, sem capa, sem guarda-chuva, sem mascara e maquiagem. Um batismo.
Lavar a alma e estender no varal. Expô-la ao vento. E esperar que seu verdadeiro dono venha recolher.

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