Fragmentos

Pesquisando sobre psicose, entre dicionários e artigos científicos, uma frase aleatória me chamou atenção; “…às vezes acompanhado de estados alucinatórios”. Fiquei intrigado ao pensar que, se a psicose é um distúrbio que distorce as percepções de realidade, porque só “as vezes” acompanha o estado alucinatório?
No Livro do Desassossego, Fernando Pessoa, pelo semi-heterônimo Bernardo Soares, escreve: 
“Há qualquer coisa de longínquo em mim neste momento. Estou de fato à varanda da vida, mas não é bem desta vida. (…) Sou todo eu uma vaga saudade, nem do passado, nem do futuro: sou uma saudade do presente, anônima, prolixa e incompreendida.”

Um das coisas que mais me enchem de graça, no sentido amplo da palavra, ao ler sobre Cristo nos evangelhos, é um claro chamado aos contadores de história. Ao longo de sua caminhada Jesus conta várias parábolas para que uma nova história seja escrita na vida das pessoas que se achegam a Ele.
Rubem Alves cita; “faz tempo que para pensar sobre Deus não leio os teólogos, leio os poetas”. Jesus foi além. Usou os poetas para explicar os teólogos. Mas não se iluda. Não há como apequenar O Cristo.
C.S. Lewis traduz isso de forma prática: 
“Estou tentando impedir que alguém repita a rematada tolice dita por muitos a seu respeito: “Estou disposto a aceitar Jesus como um grande mestre da moral, mas não aceito a sua afirmação de ser Deus.” Essa é a única coisa que não devemos dizer. Um homem que fosse somente um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre da moral. Seria um lunático – no mesmo grau de alguém que pretendesse ser um ovo cozido — ou então o diabo em pessoa. Faça a sua escolha. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passa de um louco ou coisa pior. Você pode querer calá-lo por ser um louco, pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode prosternar-se a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas que ninguém venha, com paternal condescendência, dizer que ele não passava de um grande mestre humano. Ele não nos deixou essa opção, e não quis deixá-la.”
Eis que fica a grande questão. Jesus, o dito Cristo, grande poeta psicótico da humanidade? Ou O alguém para além? Sei que há muitos amigos que entendem isso como perfeita loucura em estado pureza ou acham simples idiotice. Eu preferi, pelo convite à simbiose, me tornar contador de histórias a partir de seu nascimento, morte e ressurreição.  Distorção da percepção da realidade para alguns. Pra mim, o rasgar do véu da vida para além. O agora, ainda não.
Como diria Fernando Pessoa “Sou os arredores de uma vila que não há. (…) Sou uma figura de romance por escrever.”
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