Livre

Hoje fui almoçar no bairro oriental de SP, a Liberdade. Estava sozinho pensando em algumas coisas que preciso fazer ao longo desses meses e por isso escolhi uma mesa bem no canto, onde não precisasse interagir com alguém. Ao que, numa mesa próxima, me senta um rapaz de uns 35 anos. Ele olha pra mim por alguns segundos e pergunta se eu também estava preso. Não entendi de imediato. Nisso ele apontou as minhas tatuagens. “Tenho umas dessas também”. Achei engraçado a ligação. Pelo entendi, tentando cortar logo o assunto, ele havia saído da prisão a pouco. Alguns minutos depois ele comenta que se sentia estranho; “cortei minha cabeleira hoje, quase não me reconheço”. Eu ri e no cúmulo da minha anti sociabilidade, coloquei os fones de ouvido. De nada adiantou. Ele chamou minha atenção e começou a dizer repetidas vezes que aquela era a melhor comida de todas. O dono do restaurante passou e ele foi cumprimenta-lo pela ótima comida. Na hora de ir embora, saiu agradecendo todos os garçons e garçonetes do lugar. Agradeceu alguns cozinheiros e a moça do caixa. Pagou a conta e saiu. Fiquei olhando aquilo e cheguei a seguinte conclusão. Ele não estava agradecendo a comida em si. Ele estava agradecendo a companhia – a liberdade.

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