Incognita

Me diz em partes que se sente em pedaços. Que se escreve nos espaços em brancos do quarto. E rouba a paz do outro pra que ele possa voltar. Grita o seu nome em alto e bom som na sala de estar. Mas a resposta é, se não, da televisão. A novela que te conhece melhor que a ilusão. E observa da janela o vento dobrar a esquina. A espera ansiosa da vida. A sina de sorrir da esperança no semáforo aberto. A dor do dedo na quina. E me liga mais uma vez. Ouve com muita atenção a minha surdez. La fora Beethoven lembra a falta de gás na cozinha. Ouve a campainha. Mas não tem coragem de abrir a porta e deixar entrar. Vai que seja a vizinha. O que mais poderia ser? Pode ser algo mais? Descobriu então que o medo era ter. A solidão era boa companhia. Talvez a felicidade batesse a porta para lhe fazer sorrir e lhe roubar toda a rima.

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