O Sol

Um dia o sol se pôs e não quis mais voltar. Mas o que ele não sabia era que ninguém poderia lhe esconder. Nem mesmo o mar. Todavia estava chateado pelo amor vazio e sempre distante. Era puro embaraço, poucas palavras, muitos contrastes. Cortante.
Então por muito tempo, o lado de lá era constantemente dia. Ninguém dormia e a morte foi chegando. E o lado de cá constante noite. Ninguém brincava. Ninguém se via. A amada lua nem mais sorria.
Em fim, cansado da monocromia e de ver o mundo morrer, o Sol resolveu voltar a correr apesar de suas explosões, arroubos de paixão. Reviveu.
Aqui o dia chegou quente e fresco, como há muito não se via. A noite retornou fulgida pela sorriso amarelo da Lua.
E duas coisas constatou-se. A lua sorria porque ele, o sol, existia. Mas era impossível para esse ente caloroso competir com os amantes da estrela nua. É nela que os insones depositavam suas agruras.
Algo mais percebeu. Os primeiros raios aqueciam e iluminavam a esperança de quem na distancia desse amor se perdeu. E, nisso, perfeitamente entendeu o seu lugar.
Como poeta em primeira pessoa que se encontra, o sol da o tom da música. A lua baila e paga a conta.

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