Sobre Casas, Jazigos, Vida e Morte

Não nego que penso constantemente na morte. Não de forma mórbida. Mas me pego pensando que, se eu morresse hoje, há quantos passos estaria do local do meu nascimento. Porque é inevitável pensar que, se a vida é movimento, o quanto caminhei? Se a vida é um sopro, ela é impulso. Onde exatamente estou hoje? A curitibana Zigurate já cantava “Como será, nascer viver e morrer no mesmo lugar? Sob sol escaldante à noite ao luar. Sobreviver à tempestades e o frio suportar…”

Sinceramente não gostaria eu de ser o dono da resposta dessa pergunta. Mas todas as vezes que penso sobre onde estou na minha caminhada que, hoje, posso afirmar, tem alvo claro, me pego pensando que não é falta de coragem dar passos maiores. As vezes é falta de vontade… é sentar no sofá do comodismo que é macio e embala os sonhos num sono profundo. E, paradoxalmente, não há perigo maior para os sonhos que o sono profundo, embalado pela chuva que cai sobre o telhado. Enquanto simplesmente ficamos encharcados nos nossos pensamentos adormecidos (Uns sentem a chuva, outros apenas se molham.” – Bob Dylan) brincamos de responder perguntas “E na primavera com suas cores e formas tão belas, o mundo salvar, como será?”.

E toda vez que penso que não levar a vida tão a sério não significa transforma-la num eterno playground, penso que minha idade está em descompasso com a maturidade. E é preciso correr. “Porque as coisas de menino ficaram para trás”. E passado, ou é propulsão ou pedra no pé no meio do oceano. Mas é preciso navegar. E se o barco afundar, aprenda a nadar até os braços doerem mortalmente. “Como será que deve ser pra eu me fazer entender, que sofrer é aprender”.

Mas “como será se continuarmos a lhe sangrar? Interrompendo o ciclo da vida até não poder mais?”. Porque é impossível desvincular do outro, mesmo que não tão próximo. Já dizia Donne “Nenhum homem é uma ilha”. E pensar que estagnar a vida é ser responsável não só por si. Porque tudo é referencia e todos são, de algum jeito, referenciais. Por isso as vezes sou rude. Falo coisas nonsenses, não necessáriamente insensatas, para que a vida seja desperta em alguns. Normalmente, depois de tomar uma porrada ou dar com a cara do muro. E as vezes, confesso, penso em desistir do(s) próximo(s) e me refugiar na minha ilha conscientemente, num surto misantrópico utópico. Mas envolve guardar a minha vontade de arte, de beleza, de vislumbre, de histórias, conversas, palavras, livros ou simplesmente de um café. Penso que privar as pessoas disso, não do meu pseudo talento, mas de um dom doado seria quase um assassinato. “Então você não mais vai suportar, e vai me odiar por não te amar”. Lembro-me de um amigo quando foi quase agredido por outra pessoa por compartilhar sua fé. Na hora da agressão ele abraçou forte seu agressor e disse “você não precisa fazer isso, eu não estou lutando contra você. Eu te amo. Preste atenção as minhas palavras, eu te amo”. E no fim, a agressão vazou pelos olhos, em lágrimas quentes.

Chego a conclusão que, estou cada dia mais longe da onde nasci, sem nega-lo, me aproximando das pessoas, principalmente dos menos próximos, já que nos tornamos especialistas e fortalezas digitais, sentimentais ou de bloco e concreto mesmo. E é impressionante o número de seres que pensam estar criando suas casas, castelos, raizes, legados, enquanto, na verdade, estão ornamentando seus jazigos.

A quem tem em quem confiar “deixa ser como será…”.

“Esta é a minha oração: que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção,  para discernirem o que é melhor, a fim de serem puros e irrepreensíveis até o dia de Cristo” Filipenses 1:9-10

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