Paradoxo de Guerra

E os pés descalços, cansados de andar entre minas terrestres. As costas curvadas dos arames farpados a meia altura. A mente cansada de pensar a frente do tiro. E, por favor, não me culpe por não conseguir mais amar essa guerra. Antes eu fosse honrado com um tiro no peito e uma medalha no corpo frio e sem alma. O sangue lavaria todos os meus pecados, pelo menos na mente de quem amo. É engraçado como esperam um messias nascido e criado em pecado. E quando a beleza bate a porta, fecham os olhos para a luz. Esperam as armas de guerra e o tiro que arromba a própria porta. Mas se negama receber as cartas cheias de anseio de um coração limpo. Continuam apaixonados, mas pela chacina que banha os campos. E as flores não tem outra cor, se não o vermelho. O vermelho sangue dos heróis de fachada, dos covardes convictos e dos perdidos que em epifânia mortal viam-se crianças. E quando será que o atalho foi escolhido como melhor caminho? Não há como negar a falta de senso. Pra quem não sabe para onde vai, os atalhos os levam cada vez mais perto do nada. No fim, cansei da guerra. Mas não do ideal e muito menos da luta. Mas se palavras em paradoxo se tornam setas oblíquas, sou obrigado a apostar a vida nos joelhos da rendição. No constragimento. Num exército em que soldados lutam guerras distintas, o sangue pode marcar o caminho para a redenção. E assim o foi. E assim o é. Porque Messias, definitivamente não sou. Mas, desarmado para a guerra, o messias me quer.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s