Cantiga do Bobo

A canção dos tolos sempre começa em acordes maiores. Na esperança de um bobo que conta histórias esdruxulas na busca do sorriso fácil. Como se o coração fosse atingindo pelo resplendor dos dentes amarelos. Mal sabe ele as cáries que o corrói.
Passa à ponte da música como se fosse atravessar um arco íris. A íris dos olhos de cores definidas pelo sol, lua, alegria e tristeza.
E se lança. Mergulha profundo numa expectativa exagerada pelos contos encantados do jardim do vizinho. Balança no parque com os pés levantados buscando um sol que queima, mas não aquece.

Refere-se ao refrão como lema. Pena na busca em ardor. A mesma pena que escreve histórias de amor. Sempre atento aos olhos perdidos e a voz cansada. Cantada num playback que só se ouve na mente. E dança. E acende a chama. E corre ao porto na esperança que o barco não se tenha ido. E ora com fé para que o barco não afunde. E chora a antecipação da felicidade como um ladrão de si, viajante no tempo.
No fim, só um violão. Em acordes menores. A voz em reverberação numa descendência que de o deixa sentado no chão, na calçada, sonhando sonhos vívidos em tela pintada a mão.
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