Depois do amanhecer

Olhava tão profundamente que não enxergava nem um palmo à frente. Depois cansou, deitou, encobriu-se. Fechou os olhos mas não dormiu.
 
Horas passadas, depois do não-sono, acordou pra não-vida. Ainda sim, não viu. Pé ante pé e o destino parecia estar cada vez mais longe.
 
As vezes gostaria de uma mágica, fogos de artifício ou só poder negar tudo em alto e bom som. Na verdade, até que poderia tudo isso, mas a não-escolha era um dos poucos momentos de lucidez. A mais valia, pouco valia. Pouco valeria.
 
Conhecia bem o caminho e sabia que tivera sua quirela de sorte ao conseguir voltar. Viagem de volta das mais truculentas, diga-se de passagem. Ainda sim, frente a escolha, sentia dúvida. Coçou a cabeça e riu-se de si mesmo, da única certeza. A dúvida.
 
Em tom de desabafo sarcástico, olhou pra cima e disse – “mas que graça tudo isso, Deus.”
 
Se assustou como se tivesse visto fantasma ao ouvir a voz no coração “Exatamente isso. Graça”.
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