O Tempo, A Morte e Deus

“Ele estava ainda dolorido das suas contusões, os ferimentos recebidos sangravam ainda; mas não era pela dor que ele soluçava, era porque estava inteiramente só, porque havia sido escorraçado, sozinho, para aquele mundo sepulcral de rochas e luar. À beira do precipício, sentou-se. Tinha a lua pelas costas, mergulhou o olhar na sombra negra da mesa, na sombra negra da morte. Não precisava dar mais que um passo, um pequeno salto… Estendeu a mão direita ao luar. Do corte no pulso, o sangue ainda escorria. A pequenos intervalos caía uma gota escura, quase sem cor na luz morta. Uma gota, outra, outra… ‘Amanhã, e amanhã e ainda amanhã…’*
Tinha descoberto o Tempo, a Morte e Deus.”

*To-morrow, and to-morrow, and to-morrow
Creeps in this petty pace from day to day
To the last syllable of recorded time. (Macbeth, V,5.)

Trás amanhã e trás amanhã de novo,
Vai, a pequenos passos, dia a dia,
Até a ultima silaba do tempo; (Macbeth, Ato V, cena V.)

Trecho retirado do livro “Admirável Mundo Novo” de Aldous Huxley.

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s