Em contos e desencontros

A chuva batia forte no rosto. Quanto mais corria, menos enxergava. Olhavam pra ele e pensavam “Que pressa desnecessária. Parece que vai tirar o pai da forca.” Não percebiam os olhos vermelhos e as lágrimas misturadas a água que caia veemente sobre ele. A música tocava. Uma música que só ele ouvia. Entrou correndo em uma cafeteria, caiu em si e lembrou da mulher que o acompanhava desde que saiu correndo daquela casa. Pediu dois cafés. O garçon estranhou. Pediu desculpa. Com o olhar vazio, disse quase que pra si mesmo “o que faremos?”. A amiga cheio de compaixão e coragem disse “É nossa grande chance. É a sua oportunidade.” Refletiu sobre isso, mas não conseguia dar forma ao pensamento. “Oportunidade pra que?”. Já não se lembrava mais porque estava ali. Era como se tivesse acordado de um sonho. Logo reparou dois copos de café a mesa, mas estava sózinho. Se lembrava vagamente de um diálogo. Mas com quem? Não demorou muito, viu pelo vidro da porta todos eles se aproximando. Sabia que deveria correr, mas não exatamente porque. Resignou-se. Viu o garçon olhando insistentemente. Em questão de segundos pensou consigo mesmo “conheço ele”. Pensou alto “Oh meu Deus! Ele”. Derrubou a mesa. Logo todos os rostos eram iguais aos do garçon. Não percebera que tinha sido alvejado. A injeção estava em seu braço esquerdo. As pernas não obedeciam mais a vontade de correr. Sentiu todos se aproximando. Sufocando-o. Queria gritar, mas se perdeu dentro de sua própria mente até que apagou. Segundos depois, estava ofegante em seu quarto. Assustado, olhou para todos os lados para ver haviam pessoas observando. Estava sózinho. Suado e com coração acelerado. Percebeu os raios do sol da manhã atravessando sua janela. “Só um sonho. Só mais um sonho”. Olhou pela janela gradeada. “Onde será que estão agora?” Pensava no sonho. No homem. Na mulher. Em si mesmo. Ouviu a porta bater e a mulher de branco estava novamente lá. “Aqui está. Tome!”. Pegou-o, colocou na boca. Um copo d´agua pra ajudar a descer. Logo mais que saiu a mulher de branco, virou para o lado e disse para seu amigo e a mulher “precisamos arrumar um jeito de fugir. Não aguento mais esse pesadelo”

Anúncios

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s