Um Conto de Fadas Inacabado

Existem vários anjos na minha vida. Eu poderia enumerar milhares de histórias e de como minha vida foi transformada por cada um(a) deles.

Há certo tempo atrás, um novo anjo entrou no meu convívio, numa dessas “coincidências” que acontecem todos os dias. Foi tão sorrateiro que realmente não o tinha percebido como deveria. Mas isso logo mudou. Em momentos raros e conversas escassas, aos poucos percebi que esse anjo tinha as asas quebradas. Isso me intrigou muito. E falei com ele sobre suas asas como se soubesse exatamente o que aconteceu. Essa é uma característica irritante em mim, eu confesso. Falo as vezes como se tivesse pleno conhecimento de causa, mesmo esperando saber o contraponto. E isso irritou o anjo, que não me permitiu mais me aproximar. Mas o que ainda continuava a me intrigar era o brilho divino que via em seus olhos e que conseguia iluminar a minha alma.

Depois de um iato, reencontrei o anjo. Mais do que nunca, vi como suas asas estavam feridas, como se alguém o tivesse colocado em uma gaiola. E o que mais me chamava a atenção é que esse anjo parecia ter se permitido engaiolar, como se esse fosse o sentido de sua vida… sua missão. Mas o fulgor dos seus olhos ainda estava lá. Percebi que, mesmo dentro da gaiola, preso e quieto, ele nunca deixou de cantar… de dançar…De tentar bater suas asas. Estava tudo lá, dentro dos seus olhos.

Eu nunca mais pude me afastar. Eu precisava saber da onde vinha tanto vigor. Nada fazia sentido. E o anjo, mesmo na busca do sentido de tudo isso, conseguia ser uma grande árvore balançando com o vento suave do outono, assim como uma rocha firme na tempestade. Mas infelizmente, parecia que só eu via isso. A sensação era que só eu conseguia ver e sentir a força em suas asas, mesmo machucadas. Sei que isso era e é uma forma totalmente egoísta e centrada no “eu” de ver as coisas. Mas essa era a sensação. Havia um brilho de cegar, em um diamante bruto à que poucos davam valor.

E eu decidi. Precisava de alguma forma, possível ou impossível, ajudar a trazer cura as asas desse anjo. E encarei como se fosse minha missão. E me senti cada vez mais encorajado, porque percebi outras pessoas a minha volta com o mesmo foco.

De alguma forma incompreensível, consegui entrar pela porta de sua alma, mesmo que por um curto espaço de tempo. Havia tanta vida, assim como muitas cicatrizes. Tanta coisa que não se pode descrever, mas que só o tempo mostrará a quem estiver disposto a ver, compreender e viver.

E de alguma forma muito louca, o anjo confiou em mim para ser parte da cura de seus ferimentos. E eu, infelizmente, não percebi a dimensão disso.

Preciso parar pra respirar nesse ponto da história.

Em algum ponto do processo deixei de ser “a cura” e me transformei na dor. Me senti em uma outra realidade. Fora de mim. E quando parei pra olhar o que havia acontecido, eu não só havia machucado mais a asa do anjo, como havia ferido profundamente sua alma.

Uma das primeiras coisas que me veio a mente foi a frase de uma antiga música que um amigo costumava cantar… “O mais miserável dos homens que sou…” era a única coisa que ecoava em minha mente.

Os seus olhos ainda faiscavam como um vulcão prestes a entrar em erupção com toda aquela a luz. Por minuto percebi que provavelmente nunca mais veria aqueles olhos e nem sentiria meu coração arder através deles.

Esse não é o fim da história. Definitivamente não acredito que seja. Mas como você percebeu, esse é um texto altamente metafórico.

O que quero mostrar com ele é algo simples. Mas que só temos noção da importância quando perdemos de vista. Cuide de cada anjo que Deus te dá como se fosse o próprio Deus ali [Mateus 25:37 – 40].

Esse texto pode não fazer sentido pra você. E espero realmente que nunca o faça. Mas se de alguma forma você se viu no meu papel, espero que você repense a palavra “cuidado” e todas as outras que sairem de sua boca. Se você for o anjo, que repense “ser cuidado”, “viver” e “perdão”.

E o desejo mais puro do meu coração é que anjos voem o mais alto e mais longe que conseguir, por que, independente de onde estiverem, verei o brilho dos seus olhos.


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2 pensamentos sobre “Um Conto de Fadas Inacabado

  1. Pingback: Tweets that mention Um Conto de Fadas Inacabado « Estranho mundo de ROD! -- Topsy.com

  2. Me vi anjo e me vi você. OU seja, muita mais coisa pra repensar agora.
    “Volta Rod”

    ah e tenho a impressão de que esse anjo que comentou faz parte da minha história também!

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