O Paraíso Que Muitos Tentam Me Vender!

Fui andar pelo Jardim do Amor,
e o que vi não era o que eu esperava:
Vi uma capela erguida no lugar
Onde antes, no gramado, as crianças brincavam.

Seu portão fechado estava
E nele, escrito: Interditado.
Para o Jardim do Amor corri então
Onde antes tantas flores se abriam.
Mas encontrei, ao invés das flores, sepulturas,

E lápides frias e espalhadas.
Sacerdotes em vestes negras vigiavam
E com espinhos os risos e alegrias proibiam.
(1)

“O Paraíso continua a existir como esperança, nas palavras dos poetas. O corpo come pão para poder andar. Mas, para poder voar, é preciso ter asas… A poesia são as asas da alma. ‘A poesia, a mais humilde, é serva da esperança…’ (Adélia Prado)”

Vagarosamente, todos saíram da tenda repetindo as palavras e esforçando-se por não esquecer: “A poesia é serva da esperança, a poesia é serva da esperança, a poesia é serva da esperança”. E foi repetindo esse mantra que adormeceram sonhando com o futuro.

(1) Poema de William Blake

Retirado de PERGUNTARAM-ME SE ACREDITO EM DEUS de RUBEM ALVES.

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