Death Metal Saved My Life!

Eu tinha por volta de 17 anos. Não lembro exatamente. Mas estava vivendo uma mega crise de identidade, se é que posso assim chamar. Tinha brigas quase que diárias com meu pai por causa “desses malditos cds de rock do demonio”. Ele dizia que eu estava levando o demônio pra dentro de casa. E sendo ele o chefe da familia, não permitiria isso. Apesar de estar numa fase de supervalorizar pequenos problemas, eu ficava pensando. “Deus, me mostra se eu to errado. Porque se estiver errado, eu paro de ouvir musica. Eu simplesmente detesto ‘música da igreja’. Não terei mais o que ouvir.”
Isso realmente estava afetando meu relacionamento com meu pai e com Deus. Eu frequentava a Galeria do Rock TODO o sábado nessa época e sempre ia pra algum show depois. Num desses finais de semana, estava tão de saco cheio com as discussões com meu pai, que estava entrando em parafusos sobre rock ser ou não do diabo. Orei pra que Deus fosse muito claro se ele tava nessa parada ou não. Depois do role básico na galeria, encontrar os amigos no famoso Bar do China no Vale do Anhangabaú, fui para a extinta e saudosa “zadoquinha” na barra funda. Ia rolar o show do Clemency e mais duas outras bandas que não lembro quais eram. O Clemency era uma referência no chamado “War Death Metal”.
Clemency
Sinceramente, achava eles melhores que o próprio Krisiun, um ícone mundial, mas que soava repetitivo demais na minha opinião. Assim que eles subiram no palco, foi aquele arregasso. Cabelo voando pra lá e pra cá. Uma roda Grindcore “violenta” e eu tava colado no palco. Na segunda música algo extremamente bizarro aconteceu. Eu comecei a chorar de felicidade. Era como se eu tivesse sido levado a uma outra realidade. Eu sentia AMOR no ambiente (e o Death Metal comendo solto). Eu não sabia explicar o que era até um amigo virar pra mim e dizer “Sentiu isso velho?”. E eu falei pra ele “Se Deus não estiver aqui, não sei mais onde Ele está!”.
O por que de eu estar contando essa experiência?
Ainda hoje, apesar de toda informação, internet, artigos, textos e tudo mais, vejo muita gente cabeça dura ao redor querendo enfrentar tudo e todos com o peito aberto. Ditas igrejas underground/alternativas ensinando membros como ser verdadeiros “tr00” e deixando o evangelho em segundo plano. Muita gente em discussões e debates inúteis sobre tatuagem, piercing e etc.
Esse show foi um marco importante de mudança de muita coisa na minha vida. Voltei com minha fé (em Cristo e não no metal) renovada. Entendi que eu não deveria ficar discutindo com meu pai sobre isso. Que deveria deixar ele ver os frutos desse instrumento de Deus na minha vida. Parei de ouvir som quando ele estava em casa, por puro respeito. Deixei meu cds guardados em lugares que ele não tinha acesso, para não deixa-lo nervoso com nada. Com o tempo, sem forçar nada ele foi entendo um pouco do meu mundo e eu o dele. Uns 2 anos depois comecei a organizar shows com bandas cristãs e seculares em um bar da minha cidade. Em um desses shows, trouxe uma banda cristã de Mato Grosso do Sul que tocava Metal Extremo. O show terminou muito tarde e nem tivemos tempo de trocar de roupa nem nada. Eles iriam todos dormir em casa. Chegamos por volta da 00:30 de domingo para segunda-feira. Minha mãe abriu a porta e viu um monte de cabeludo, de corpse paint (pintura de rosto) e kilt. Ela levou um susto, mas não falou nada. Os caras da banda ficaram dois dias em casa. No segundo dia ja eram parte da familia. Meus pais conversam com eles tranquilamente sobre os mais variados assuntos; biblia, futebol, cristianismo, comida e por ai vai.
Resultado final de tudo isso é que meus pais ainda hoje não suportam rock. Mas me dão todo apoio em shows e nas bandas que toco. São meus amigos e até já ajudaram vender o cd de uma das minhas bandas.
bloodforgeMas isso tudo aconteceu quando deixei o evangelho falar mais alto em mim. Ser uma testemunha viva pra eles. Não que eu seja “o cara” nem nada. Mas isso era bem claro pra mim. Deixar que o rock, metal e qualquer coisa fora do “comum”, fossem secundários ao meu relacionamento com eles. E quando você tem um relacionamento verdadeiro, pode ser quem você é sem ter de provar nada a ninguém.
Se você, de alguma forma, ainda ta passando por isso dentro da sua familia, igreja, ministério ou qualquer coisa parecida, eu só tenho um conselho pra te dar. Seja SERVO em Cristo. Deixe que Ele fale através de você. O mais, Ele o fará.

Sendo assim, aproximemo-nos de Deus com um coração sincero e com plena convicção de fé, tendo os corações aspergidos para nos purificar de uma consciência culpada, e tendo os nossos corpos lavados com água pura. Apeguemo-nos com firmeza à esperança que professamos, pois aquele que prometeu é fiel. E consideremos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras. (Hebreus 10:22-24)

Bloodforgehttp://myspace.com/bloodforgebr [minha banda]

Clemency http://www.myspace.com/clemencyband

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6 pensamentos sobre “Death Metal Saved My Life!

  1. Arregaçou, cara!!

    Eu também já passei por paradas semelhantes em minha família e agora, mudando mais uma vez de igreja não tem como não rolar algo semelhante. Mas como você disse, já aprendi que o verdadeiro relacionamento com Deus está em “considerarmos uns aos outros para nos incentivarmos ao amor e às boas obras”.

    Meus pais também tem visto os frutos de meu relacionamento com Deus e tem me apoiado em muitas decisões que eles mesmos não entendem totalmente.

    Abraço. E teu blog é muito bom.

    Curto vir aqui.

  2. Legal, o mais legal é que essa história se repete diariamente na vida de muita gente que eu conheço até na minha já aconteceu,mas as coisas mudam sua familia acaba percebendo que vc curtir um determinado estilo de musica é normal, vc ñ muda vc ainda é o mesmo filho, neto e sobrinho de todos, o que eu pude perceber nestes anos de curtir som é que depois de um tempo vc amadurece, não fica conflitando mais, pq vc percebe q ñ vale a pena discutir com sua familia a vida toda, p/ exemplo eu faço parte de um ministério q ñ aceita este tipo de musik mas a minha consciência ñ me acusa, as pessoas precisam entender q ninguém é obrigado a pensar como a maioria,vc tem q ter sua individualidade, e curtir um som q a maioria das pessoas ñ curtem faz parte disto.
    é só nos relembrarmos que a maioria destas igrejas q são contra até bem pouco tempo atrás achavam q a tv é coisa do demônio tbm, para finalizar, é só nos lembrarmos do q está escrito na Biblia ” todo ser que respira louve ao Senhor”, e louvar a Ele de todas as formas e maneiras possíveis, com todos os ritmos, instrumentos, vozes, línguas e com todo o coração.( o q muitas pessoas não conseguem enxergar).

  3. Fantástico testemunho.

    Eu também passei pelo mesmo. Com meus pais desesperados querendo saber quem eram meus “novos amigos”.

    Provavelmente eu estava neste show do Clemency hehehe… devo ter visto este show dezenas de vezes hehehe

    Um abraço!

  4. kkkkkk…
    Até hoje perguntam pra minha mainha pastora pq ela deixa a ” menina dela” ouvir “música do cão!”…
    no fim das contas é isso mesmo…
    testemunho fala por si só…

    e o bom é que a novíssima geração da igreja aprende que os ritmos ( por mais estranhos que possam parecer ) são um presente do Pai pra nós…

    só que ainda estranham, a tia do departamento infantil… que dança solos de jazz/clássico… estudante de direito… usa vestidos rodados, lacinhos e pérolas… ouvir e amaaar metal pesado!!!!!

    rsrsrsrsrsrsr…

    Pazzzz!

  5. Já eu sou o outro lado, o que não curte rock pesado e nem pretende curtir (hehe)… O problema é que eu sempre travesti isso com uma postura “não ligo, é apenas meu gosto pessoal. Não curto e é só isso”. Preciso confessar que já vi em mim pontinhas de preconceito sim sobre o rock, especialmente os mais pesados. Mas lendo isso aqui (e vendo os frutos da sua vida nas conversas q temos), percebo que é tempo desses preconceitos ruírem.
    Mt provavelmente vou continuar não gostando de rock pesado – mas agora o argumento “gosto pessoal” será mt mais sincero. Abração, meu querido! Rs!

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