Deus não me livrou…

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O salmista escreve: “Foi-me bom ter eu passado pela aflição, para que aprendesse os teus decretos” (Salmo 119:71). Você pode ficar pensando, como eu fiquei – que tipo de teologia é essa? Seria realmente bom para mim ser afligido? A palavra em hebraico para aflito aqui significa: “abatido, perturbado, diminuído, corrigido, desonrado, ofendido, humilhado, enfraquecido, rebaixado.” Quando se põe esse significado no versículo, de repente se lê: “Foi-me bom ter sido abatido, perturbado, diminuído, corrigido, desonrado, ofendido, humilhado, enfraquecido, rebaixado. E tudo com um propósito: para que eu aprendesse os decretos do Senhor!” A palavra decretos neste verso quer dizer “lei entalhada.” O salmista está dizendo: “É bom que eu tenha passado por todas estas dificuldades – pois neste processo Deus foi entalhando Suas leis e Seus caminhos no meu coração.” Bem, é verdade que o Senhor permite que as lutas surjam para nos testar. Mas este não é o objetivo principal ao permiti-las. Antes, nossas dificuldades e aflições vêm para nos ensinar a andar em justiça diante dEle. A Bíblia nos diz: “Muitas são as aflições do justo…” (Salmo 34:19). E, segundo o salmista, o objetivo de todas as nossas aflições é que aprendamos com elas. Quero lhe dar um exemplo do que eu quero dizer com aprender através das aflições. Há não muito tempo passei uma semana preparando um sermão intitulado “A Insignificância da Religião Americana.” A palavra insignificante quer dizer: “espírito mesquinho, corriqueiro.” Fiquei inflamado com esse sermão, pronto para fazê-lo explodir lá do púlpito. Porém enquanto trabalhava na mensagem, recebi uma carta de um de nossos casais missionários, Roland e Heidi Baker. Eles tinham nos escrito a respeito da situação em Moçambique, para onde estão se preparando para mudar. Moçambique foi relacionada pelas Nações Unidas como uma das nações mais pobres da terra. A situação tem se agravado pela guerra civil longa e sanguinária que há lá. A infra-estrutura do país foi destruída. Estradas, pontes, aldeias, escolas e hospitais foram destruídos por bombas. Pessoas foram selvagemente torturadas e mortas, e muitos milhões delas morreram no conflito. Milhões de outros fugiram como refugiados. Mais de um milhão de minas de solo foram colocadas durante a guerra, resultando na maior porcentagem de aleijados e mutilados do mundo. Crianças e adultos tropeçam nas minas, e explodem, muitos sendo deixados com um só membro ou dois. Milhares de crianças morrem de malária. E um número incontável de pessoas é visto vagueando pelas aldeias enegrecidas e queimadas, andando nuas e morrendo de fome. Há pouco Roland foi de camionete a esse país sofrido, com um grupo de cristãos da África do Sul. Levavam uma carga de suprimentos, e foi combinado de assistirem à uma reunião aquela noite, além da fronteira. O carro ia rápido, pois sabiam que a fronteira fecharia às cinco horas. Mas à cerca de oito quilômetros dela, o carro começou a falhar e a ir lento. O motorista apertava o acelerador, mas a velocidade do veículo continuava diminuindo. Para tristeza do grupo, viram um carro que estava à frente deles, se afastar para longe. Finalmente, chegaram à alfândega junto à fronteira cerca de dois minutos antes das cinco – e imediatamente o motor morreu. A camionete simplesmente não andava. Todos no carro começaram a pensar: “Senhor, porque permites que não assistamos à reunião?” De repente, os guardas da fronteira começaram a correr, gritando nervosos. Poucos minutos depois aterrissou um helicóptero, e um oficial sul africano desceu. Roland se aproximou dele e perguntou o que estava acontecendo. “Houve uma explosão do lado de lá da fronteira, aqui perto”, lhe disse o oficial. “Bandidos de uma das facções em guerra explodiram um carro que tinha acabado de chegar.” Disseram a Roland que os feridos e os mortos estavam sendo atendidos pelo helicóptero – e ele concluiu que estas pessoas é que conduziam o carro que estivera à frente deles. Se o carro de seu grupo estivesse funcionando direito, eles também teriam sido bombardeados. Na manhã seguinte, o motorista do grupo de Roland ligou a chave da ignição – e o caminhão pegou na hora. Na verdade, ele funcionou otimamente bem o tempo todo em Moçambique. Depois de ler toda esta descrição incrível – e o relato dos sofrimentos – pensei: “Como podemos nós, cristãos americanos, comparar nossas ‘aflições’ com as deste povo? Como colocar nossas mágoas e problemas financeiros ao lado deste sofrimento atroz? Nossos problemas parecem tão mesquinhos, corriqueiros.” É verdade que perdemos o jeito toda vez que “a coisa encrenca” no trabalho. A gente grita: “Alguém andou falando mal de mim!”, “O patrão acabou comigo!” E achamos que o mundo acabou quando as contas do cartão de crédito começam a se acumular. “Nunca trabalhei tanto, e continuo afundando. Não dá para agüentar!” Muitos crentes comentam sobre suas crises de depressão – do abatimento, da tristeza, da impossibilidade de acabar com essa sensação horrível. Porém, depois de ler a carta de Baker, pensei: “Como se pode comparar depressão com inanição, prisão, corpos mutilados, casas incendiadas, familiares assassinados?” É claro que não se pode comparar. Muitas de nossas assim chamadas aflições podem corretamente serem chamadas de corriqueiras, ou mesquinhas. E me preparei para subir ao púlpito de nossa igreja, e abertamente pregar contra os cristãos que se concentram em seus problemas emocionais, ou mágoas pessoais. Eu queria atacar os que se dizem afligidos pela depressão, enquanto o resto do mundo sofre através de maneiras ignoradas pelos americanos. Mas aí algo me aconteceu. Acordei um dia, e me deparei com algo muito estranho para mim: depressão! Uma melancolia profunda, negra, acabrunhante tinha me atingido. Ficava andando pelo apartamento pensando: “O que está havendo? Não há razão para isso.” Eu nunca havia sentido tanta tristeza, desgosto, medo e autocomiseração. Segundo o dicionário Webster, essa melancolia é o “máximo da depressão.” É um temor tão profundo que lhe faz evitar fazer qualquer coisa, ir a qualquer lugar, encontrar qualquer pessoa, ou tomar qualquer decisão. Em resumo: é depressão pura e simples. Resolvi tentar dar uma caminhada para acabar com isso. Então andei trinta e cinco quarteirões – mas só piorou. Disse para mim mesmo: “Senhor, o que está acontecendo? Quero pregar sobre o quanto a depressão é insignificante e mesquinha quando comparada aos problemas de Moçambique. No entanto, estou aqui caminhando, me concentrando totalmente na minha depressão!” Ao voltar para o apartamento comecei a chorar e não conseguia parar. Eu não sabia porquê estava chorando, mas sabia que não era por motivo corriqueiro. Era vida ou morte! Bradei a Deus com o máximo de voz: “Oh, Senhor – que dor terrível. E não é insignificante em absoluto. Ajude-me, livre-me!” Mas Deus não me livrou. E olhe, foi bom para mim – porque aprendi com isso! Primeiro, aprendi que não podia subir no púlpito e ficar vergastando ninguém por causa de sua depressão – pois descobri que depressão não é algo banal. Em verdade, nem posso imaginar o quão dolorosa possa ser uma depressão clínica. Eu só havia experimentado por um dia o que muitos cristãos têm de suportar por semanas, meses, e até anos. Também aprendi que nosso Pai celestial é atingido pelo que sentimos em nossas enfermidades, independente de qual seja ela. Seja fome, falta de teto ou depressão, tudo importa para Ele. Ele é um Senhor de compaixão interessado em Seus filhos. E está diretamente envolvido conosco, em nossa dor!

Trecho retirado do texto “Aprendendo Atraves das Aflições” (Learning Through Afflictions) by David Wilkerson

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Um pensamento sobre “Deus não me livrou…

  1. Estes sermões são um alento para mim- os leio avidamente sempre que estou me sentindo fraco-encontro neles orientação paz e consolo-umas bênção!

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