Love is a moviment!

amor

Há uns 6 meses atrás (ou mais) eu estava em frente a estação de trem de Jundiaí esperando um amigo para irmos ensaiar em São Paulo com minha banda Bloodforge. Eram por volta de 15:10 e tinhamos marcado de se encontrar as 15:00 lá. Andando pra lá e pra cá reencontrei um grande amigo que mora perto da Faculdade onde estudo. Como fazia um bom tempo que não nos víamos, ficamos conversando colocando rapidamente o papo em dia. Até que um senhor aparentando ter por volta de 50 anos se aproximou de nós e perguntou se não tínhamos algumas moedas para dar a ele, pois ele precisava pegar o trem de volta pra casa e estava totalmente sem dinheiro. Eu estava com dinheiro contado da ida e volta de trem mais a grana do ensaio. Vasculhei os bolsos e achei 60 centavos e entreguei a ele. Meu amigo também estava sem grana e arranjou alguns poucos centavos também. Por volta das 15:40 liguei para a pessoa que estava esperando e ele me disse que tinha se atrasado e que eu podia ir na frente, pois nos encontraríamos no estúdio.
Fui até a bilheteria da estação e comprei meu bilhete. O mesmo senhor que havia me pedido algumas moedas ainda estava lá. Apesar de estar com o dinheiro contado, resolvi pagar a passagem dele. Peguei outro bilhete e lhe entreguei em mãos. Ele me agradeceu e entrou na estação. Um pouco antes de eu entrar também, um outro senhor na mesma faixa de idade que estava ao lado da catraca me abordou e muito me agradeceu também. Até então eu não sabia o porquê dele estar me agradecendo.
E começou a contar que estava lá em frente a estação, pois esperava a namorada que ia chegar no próximo trem. Definitivamente eu não estava com saco pra ficar ouvindo a conversa de um velho falando sobre sua namorada cinquentona. Ja estava de saco cheio o suficiente por ter ficado esperando meu amigo e estar atrasado pro ensaio. Mas apesar dos meus comentários evazivos, ele continuou contando o quanto gostava da namorada dele. Comentou que tinha uma bela casa ali perto, tinha uma chácara muito bonita e que se eu quisesse passar um final de semana com meus amigos lá era só eu falar. Ai eu fiquei confuso de vez. Eu não tinha a menor idéia de quem era aquele senhor e dúvido que ele soubesse quem eu era. Do nada ele parou de contar sobre sua vida e com olhos cheios de lágrimas me disse – “Sabe, novamente obrigado”. E como se tivesse percebido o ponto de interrogação que se formou na minha cabeça ele começou a falar.
Era metalúrgico, tinha uma vida estável, muito bem casado e com 2 filhos. Mas o alcoolismo lhe dominou. Ele perdeu tudo, se separou da mulher, perdeu o respeito dos filhos e todos os outros parentes o abandonaram. Perdeu todos os bens materiais que tinha e foi morar na rua. Sua vida se resumia alcool e drogas e não foram poucas as vezes que pensou em cometer suicídio. Mas não tinha forças suficientes nem para isso. Em um dos poucos momentos de lucidez, entendeu que precisava fazer alguma coisa. Precisava mudar a sua vida ou iria morrer logo. Mas como? O que fazer? Por si só, resolveu se internar em uma clínica de reabilitação. O problema é que ele não tinha nem dinheiro pra chegar a clínica. Sua família o tinha rejeitado. Quem iria acreditar nele conhecendo seu histórico? Mesmo assim ele foi para estação de trem. Depois de um certo tempo mendigando por lá, um rapaz que ele nunca mais viu lhe pagou a passagem até a clínica.
Hoje ele recuperou tudo o que havia perdido e muito mais. Refez a sua vida. Uma namorada que o amava, uma bela casa, um chácara, reconstruiu o relacionamento com os filhos e com o restante de sua família. Ele me falou do quanto valorizava a vida e que tudo isso só foi possível porque alguem um dia alguém tinha pago pra ele a passagem do trem, assim como eu tinha feito com o outro senhor.
A essa altura do campeonato eu já tinha esquecido do ensaio e tudo mais. Sentia um misto de orgulho por ter ajudado o tal senhor e espanto pela total falta de noção do que pequenas atitudes podem causar.
Eu sei que muita gente ao ler esse post esperava ouvir frases do tipo; “Ele encontrou Jesus”, “Deus mudou a vida dele”, “ele se converteu”, etc. Acho que de certa forma eu esperava ouvir algo desse tipo quando ouvia essa história. Esperava ouvir que a clínica de reabilitação era cristã e por isso tudo havia mudado. Mas, não! Ele não citou nada disso. A marca da mudança que esse senhor havia levado consigo foi o fato de alguém ter lhe pago uma passagem de trem que custa, hoje, R$ 2,40.

“…porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim.” (Mateus 25:42-45)

Definitivamente eu acredito no que a Bíblia diz. E quando ela fala que somos imagem e semelhança de Deus, isso é extremamente real.
Eu acredito que caridade é uma coisa TOTALMENTE INÚTIL. É algo paleativo e não traz mudança as pessoas.
Eu acredito em COMPAIXÃO, porque compaixão traz mudança. E a mais perfeita forma de compaixão que o mundo viu e ouviu foi JESUS CRISTO.
Eu estava buscando algumas definições de Compaixão. Em uma das definições que eu achei, uma frase me chamou muito a atenção.

“A compaixão pode ser descrito como uma compreensão do estado emocional de outrem (…) é freqüentemente caracterizada através de ações, na qual uma pessoa agindo com espírito de compaixão busca ajudar aqueles pelos quais se compadece.”

Quando se sente compaixão, mas não há ação, isso se chama sentir Dó e Pena. Não há uma compreensão do estado emocional, mas sim uma inferiorização do próximo. Um bom exemplo que mostra a diferença entre sentir compaixão e sentir pena é a Parabola do Bom Samaritano. Compaixão gera atitude. Tira a gente da nossa zona de conforto. As vezes tira o pão da nossa boca para poder SERVIR o próximo. As vezes tira a gente do nosso convívio familiar, para que possamos ser família a outros. E um dos pontos mais importantes é que Compaixão não gera ORGULHO, mas sim satisfação em ver o próximo bem… “Se alegrar com os que se alegram. Chorar com os que choram”.
Estamos na semana do Natal. Essa deve ser a semana mais altruísta do ano. Quase todas as desavenças durante os outros 360 dias do ano são esquecidas nesses mais ou menos 5 dias de festa.
O Natal é, teóricamente, uma celebração cristã do nascimento da Compaixão e do Amor encarnado. E o que temos feito para, pelo menos nessa semana, fazer valer o título de “O maior feriado cristão”? Será que a nossa resposta a nova vida que nos foi dada na Cruz atraves da morte e ressurreição do filho de Deus, nascido da virgem maria, se resume a comprar uma arvore de natal, um chester, presentes para os amigos e não tão amigos assim? Ver a arvore de Natal no Ibirapuera. Assistir cantatas na Av. Paulista em São Paulo, nas igrejas ou em outros lugares do mundo? Fazer contagem regressiva as 23:59 para poder estourar a champagne?
Uma amiga me perguntou o porquê de eu achar o Natal um feriado tão depressivo. Dei varios motivos que analisando friamente se resumem a um coisa só. Eu simplesmente não tenho exercido a minha compaixão. Estou preocupado demais com o fato de trabalhar ou não no natal, para quem eu deveria dar algum presente ou quais vão ser meus planos para a virada do ano. E nisso tudo eu vejo o quão longe de ter a “mente de Cristo” eu estou, mas nisso também vejo Seu Amor, Misericórdia e Compaixão por mim. Será que você também pode sentir isso? Muito mais do que isso. Será que podemos mudar isso? Está disposto a sentir compaixão e está disposto a sair da zona de conforto afim de que essa compaixão gere realmente atitude?
Para terminar esse texto, vou contar um pequeno segredinho para vocês…
A Compaixão que gera atitude e que, por sua vez, gera mudança é o IDE que Deus nos deu.
E ai? Está disposto?

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