Eu podia cantar um rock…

Eu já fui um cristão legalista ao contrário. Como? Eu achava que só o meio underground / alternativo cristão tinha jeito. O resto da igreja estava totalmente podre e sem vida. Éramos os loucos que iam confundir os sábios.

Era um True Headbanger Banger no rigor da moda e ideologia. Daqueles que andava de coturno no sol de rachar das 15:00 horas indo para algum show e com cara de mal. Era egocêntrico ao extremo. A diversão era chacotar com qualquer um que não fosse ou, pelo menos, não tentasse ser como eu era. Somando a isso, vivia uma vida de Graça sem Verdade e aquele velho papo da igreja estar morta, a instituição é isso e aquilo e blá blá blá. Apesar de ser, literalmente, um moleque naquela época tenho vergonha disso hoje. Era muita imaturidade para uma pessoa só.

Mas existem algumas situações que simplesmente fazem o rumo da sua vida virar 180 graus. A música, pessoalmente, é uma dessas situações que conseguem acabar com toda a estabilidade das minhas “verdades absolutas”.

Certo sábado a noite um amigo pediu pra cantar uma música durante o culto. Ele foi a frente, pegou o violão e começou…

 

“Eu podia cantar um rock só prá me alegrar
Ou talvez falar de amor sem saber amar
Quantas vezes eu fiz meu corpo escravo do prazer
Tantas coisas que jovens como eu se cansam de fazer

Eu dizia ter mil amigos sem ter nenhum irmão
Hoje em dia é tão difícil fugir da solidão
Eu podia fazer de tudo que sempre quis ou não
Mesmo assim existia em mim um vazio 
Que só foi preenchido por você

 

Jesus a minha razão de viver
A luz que brilha na noite”*

 

 

Essa música, que tempos depois descobri ser do Rebanhão, bagunçou todas as minha idéias. Eu fiquei em dúvida se tinha Jesus como a razão do meu viver. Se Ele realmente era o foco das minhas atitudes. Eu sentia como se estivessem cantando uma música sobre a minha vida. De como eu me sentia só, apesar dos amigos e até dos meus irmãos. De como eu fiz muitas vezes meu corpo escravo do prazer e tantas outras coisas que os amigos faziam.

Esse foi o ponta-pé inicial de um processo de cristocentricidade na minha vida (processo que continua até hoje). A dúvida de quem eu era e o que vivia me colcou em frente ao espelho, afim de ver o vazio do meu olhar.

Até hoje, quando ouço essa música, lágrimas me vêm aos olhos e me pego revisando todas as “verdades” que estou vivendo. E se há um leve vislumbre de que Cristo não esteja no centro dessa verdade, ela automáticamente o deixa de ser. Mesmo que muitas vezes me sinta tentado a abraça-la. Ainda sim continuo ouvindo as grandes bandas de metal e outros estilos que fui aprendendo a gostar ao longo dos anos. Ainda gosto muito de tattoos, piercings, brincos, coturno, tenis cano alto e etc. Me sinto realmente bem com isso. Mas tenho aprendido que a loucura que confunde os sábios não está num visual style. Está na forma de como você entende (sente) o Amor de Deus e como você propaga esse Amor atraves de sua vida. Donald Miller, no livro Como os Pinguins Me Ajudaram a Entender Deus faz a seguinte colocação. “…aquilo em que acredito não é o que digo acreditar; o que eu acredito é o que eu faço”.  E nisso, Ele deve estar no centro de tudo. Só dessa forma a luz brilhará na noite.

 

 

*Música: Razão

  Banda: Rebanhão

  Albúm: Novo Dia

  Ano: 1987

 

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3 pensamentos sobre “Eu podia cantar um rock…

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