Ame ou Mate!

Ontem na faculdade, um pouco antes de ir embora, estava comentando com alguns amigos a respeito de um cara que trabalhava comigo e que morrera após uma troca de tiros com a policia, em função de um seqüestro no qual ele estava envolvido. Coincidentemente, o comparsa desse rapaz trabalhava com um desses amigos e também morreu na mesma ocasião. Estávamos comentando sobre a questão de “quem planta, colhe”, mas de certa forma sentíamos dó (não é muito legal sentir isso) deles e conversavamos a respeito de como se deixaram seduzir pelo dinheiro fácil, prostituição, drogas e o fim que levaram. Eu sinceramente não imaginava essa vida dupla dele. Inclusive no enterro do outro rapaz, a mãe estava desesperada por que também não imaginava que seu querido filho estivesse no mundo do crime. No meio da conversa, um colega comenta que “bandido, viciado, seqüestrador… toda essa laia deveria morrer mesmo”. Sinceramente isso me doeu aos ouvidos. Segundo esse colega, as pessoas chegam num estágio irreversível por culpa própria. A expressão “the point of no return” da uma boa definição de sua opinião.  Sendo a  única solução,  tomar um tiro na testa. Retruquei que ele tinha a visão de apenas um lado da história. Uma visão narcisista, tendo em vista o contexto em que ele havia nascido e crescido. Ai a discussão foi longe.

Em certo momento no livro A Cabana de William P. Young, o Espírito Santo diz a Mack (personagem central) que ele nunca conseguiu confiar nEle pois, não tinham um relacionamento. Mack diz que não sabia como mudar isso. Deus lhe fala que o relacionamento entre eles não tem a ver com desempenho ou obrigação de agradá-lo e faz o seguinte comentário; “Não sou um valentão nem uma divindade egocêntrica e exigente que insiste que as coisas sejam feitas do jeito que eu quero. Sou boa e só desejo o que é melhor pra você. NÃO É PELA CULPA, PELA CONDENAÇÃO OU PELA COERÇÃO que você vai encontrar isso. É apenas praticando um RELACIONAMENTO DE AMOR.” Apesar de ouvir atentamente, Mack ainda deixa uma última consideração; “Simplesmente não consigo imaginar um resultado final que justifique tudo isso!” [morte, desgraça, tristeza,…]. Deus se levanta da cadeira, da um abraço em Mack e diz “Não estamos justificando. Estamos libertando”.

Essa afirmação esta reverberando em minha mente até agora.

Não é estranho as pessoas se indignarem com Deus que permite tantas tragédias e mortes, sendo que a própria humanidade tem sede disso?

Certa vez o jornal London Times pediu a alguns escritores que respondessem à pergunta: “O que há de errado com o mundo?”.  Chesterton enviou a seguinte resposta.:

“Prezados Senhores

 

Eu.

 

Atenciosamente

G. K. Chesterton”

Uma profusão de questionamentos me vem à mente levando em conta tudo isso. Será que a culpa dos males no Brasil e outros lugares do mundo são simplesmente de Deus  ou, sendo mais político, da desigualdade social? Será que não sou eu a fonte desses males? Será que simplesmente exterminar os indesejáveis é a solução do mundo? Será que não sou eu mesmo um indesejável? Que as coisas doidas que a biblia fala sobre amar o próximo (RELACIONAMENTO), andar duas milhas, virar a outra face, o tal do ide e otras cossitas mas não façam tanto sentido assim?

Definitivamente, não acredito em POINT OF NO RETURN. Seria como afirmar que Deus não nos ama, e que o sangue de Cristo na cruz era sangue de barata e Ele é um sarcástico fanfarrão que gosta de brincar de ventríloquo, sendo nós os bonecos manipulados. Apesar de que, pensando bem sobre isso, há muita gente que tem essa concepção de Deus.

A bíblia diz que somos imagem e semelhança de Deus. Diz que os Anjos queriam ter o PRIVILÉGIO de anunciar o Amor de Deus. Ela fala do Ide. Fala sobre amar meu inimigo, ser luz, ser sal e tantas outras analogias, a fim de dizer que, não devemos ser o melhor que podemos ser, mas ser e dar o melhor que as pessoas possam receber, independente de quem seja. Definitivamente isso é ser imagem e semelhança de Deus. Por que se eu fosse receber de Deus tudo o que mereço, a morte seria o menor dos problemas.

Infelizmente o Eu impera na sociedade atual.  Deus se tornou uma imagem abstrata que, se for real,  vive a anos luz daqui. O poder da mente humana pode tudo. E os que são indesejáveis não tem vez. Perdão e Redenção são para os fracos.

Mas no meio de tudo isso, ouço as palavras de Paulo gritando aos meus ouvidos…

 

“Pois o AMOR DE CRISTO nos constrange…” [1]

 

E Donne complementa com sua celebre frase;

 

“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo; se um seixo for levado pelo mar, a Europa fica menor, como se fosse um promontório, assim como se fosse uma parte de seus amigos ou mesmo sua; a morte de qualquer homem me diminui, porque eu sou parte da humanidade; e por isso, nunca procure saber por quem os sinos dobram, eles dobram por ti”. [2]

 

Acho que eu e boa parte da humanidade esta precisando tirar a trave dos nossos olhos.

 

 

 

[1]  II Coríntios 5:14

[2] John Donne – MEDITAÇOES – Editora Landmark

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